3.3.11

Paradoxo

Minha vida é conter o paradoxo
Que me habita confusamente.
Desdenho da clareza das ideias
Quando mal sei cuidar de antíteses.

Tombando entre impossibilidades,
Vejo-me tão atraída por esse mundo
Que me reservam as inconstâncias da alma!

Vivo a claridade do breu pelo qual
Oscilam minhas falsas verdades.
Brumas desnudam minha fajuta realidade,
A névoa abraça as incertezas que vagam.

Um vulcão entra calmo em erupção
E a crueldade da destruição torna-se...
Algo como gosto ou prazer.

Embargam-me os olhos emoções impossíveis,
Um temor alegre, felicidade e tristeza compassivas;
Bebo sedenta o copo de vinho vazio
No qual mergulham minhas mágoas mortas.

Relampeja um amor nas minhas entrenhas,
O sangue ferve e congela ao mesmo tempo,
As dúvidas semeiam minhas células.

Entro em colapso existencial.

Eis que, quando já me cansam
Todas essas contradições de ser,
Tateio o intangível
E - plenamente como nunca - me descubro humana...

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