30.8.10
27.8.10
Tenho Tanto Sentimento
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa
24.8.10
20.8.10
Já acordara fazia tempo quando fui à cozinha tomar meu café, como de praxe. Abri o jornal e não me assustei com os números da inflação daquele mês. Espreguicei-me uma, duas vezes, deitei-me no sofá da sala e senti saudade do meu passado. Como me faz falta minha juventude! Saudade dos meus tempos de moleque, da pipa, do futebol, de pegar o bonde para ir à escola e de assobiar para as meninas bonitas que passavam na rua. Como é bom me lembrar daquele primeiro emprego, do primeiro salário, da alegria da faculdade... Que saudade de quando me apaixonei, me casei, tive meus filhos. E ainda como me fazem falta aqueles meus amigos inseparáveis! Parece que foi ontem que minha primeira neta nasceu, seguida dos dois gêmeos. Levantei-me e olhei-me no espelho. Via uma pessoa diferente. Mudada, talvez, ou quem sabe até outra pessoa! Cheguei mais perto e vi que os óculos já não escorriam pelo nariz comprido e que as poucas ruguinhas na testa não eram nem ruguinhas nem poucas. Não tinha envelhecido, tinha apenas acabado de perceber isso. Doce juventude e cruel do destino que não hesita em logo deixá-la para trás...
Pensamentos de menino
À medida que o sol, tímido, surgia
Vi cintilante a luz dos teus olhos
Que, enchendo-me a alma de alegria
Brilhava, como o mar, mais que o próprio dia.
Caminhavas na orla tranquila
E o sol se misturava à água e a teu corpo
Incansável, que ainda hoje minha paz aniquila
Em seu caminhar suave, desconcertante de teu entorno.
O tempo correu enquanto meu coração, insistente,
Não sossegou, não aquietou suas descordenadas batidas -
Não aceitou, ainda, o teu ser ágil levado numa corrente...
Lembrança, fantasia, esperança!
Ainda que tenha minhas utopias entristecidas,
Pulsa vivo em minha mente aquele sonho de criança...
À medida que o sol, tímido, surgia
Vi cintilante a luz dos teus olhos
Que, enchendo-me a alma de alegria
Brilhava, como o mar, mais que o próprio dia.
Caminhavas na orla tranquila
E o sol se misturava à água e a teu corpo
Incansável, que ainda hoje minha paz aniquila
Em seu caminhar suave, desconcertante de teu entorno.
O tempo correu enquanto meu coração, insistente,
Não sossegou, não aquietou suas descordenadas batidas -
Não aceitou, ainda, o teu ser ágil levado numa corrente...
Lembrança, fantasia, esperança!
Ainda que tenha minhas utopias entristecidas,
Pulsa vivo em minha mente aquele sonho de criança...
17.8.10
Não gosto de história.
História é cultura, história é importante, afinal, quem acha desnecessário saber a história do seu país, do mundo que nos cerca?
História é importante mas não é algo bonito de se estudar não. Tudo bem, eu hei de convir que é preciso aprender história - é preciso aprender sobre os legados lindos de Roma, da Grécia, das civilizações orientais, da Revolução Científica... Pena que isso nos obrigue a aprender sobre os podres da humanidade.
Dores infinitas. Escravidão, revoluções sangrentas, exílio, invasões, colonização.
E as guerras? Guerra do Iraque, do Afeganistão, do Vietnã, do Paraguai.. Guerra dos 7 anos, Guerra dos Cem Anos, Guerra Civil Espanhola, 1ª Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial.. Há dor mais repentina, profunda, intensa e duradoura?
Uns poucos lidam com o jogo da política como lhes convêm e decidem muitas vezes por nações inteiras o envio de tropas, por vezes alienadas, ao campo de batalha. Os soldados vão à guerra prontos para combater um inimigo que quase sempre lhes impuseram como tal. Lutam para matar o adversário, para aniquilar com a honra de um país que sabem que devem detestar, mas devem ter um ódio cujo porquê desconhecem e que muitas vezes nem sentem. Ignorantes, armam acampamento, preparam munições, enchem cantis e partem com as armas empunhadas nas mãos prontas para a tortura. Podem fugir frente à ameaça, mas o objetivo de caçar, apriosionar, torturar (matar, ainda, lhes é inerente, afinal, é matar ou morrer). Líderes, como sempre, preparam emboscadas e armadilhas, organizam a tropa para a luta quase sempre poupando-se de esforços que podem caber a outros. Assim, após um início de muita força e disposição, apesar de um provável receio interior, os homens guerreiros veem-se cansados depois de dias, semanas, meses, às vezes anos lutando, guerreando, se defendendo. Esses soldados, de botinas sujas e roupas maltrapilhas, de coração doído, melancólico, não podem desistir, não têm como voltar atrás. Estão fadados a caminhar em direção ao inimigo, ao ódio, aos tiros, ao estupro - e cada vez mais longe de casa... E assim, um pai, que deixou sua esposa e seus filhos para honrar seu país por um motivo de importância discutível, morreu com um tiro de um outro soldado escondido numa trincheira. Outro não conseguiu se safar de uma armadilha no meio da floresta e - coitado! -, caiu despenhadeiro abaixo. O companheiro ao lado se chocou e até hoje carrega o trauma das suas experiências dolorosas, de vida e de morte, de força e de fraqueza máximas. O saldo final é certo: é sempre de perda. Os baldes de sangue derramados não serão repostos, as cicatrizes serão eternas em cada uma das famílias, em cada um dos países e, sem perdão, a história registra em suas páginas mais um doloroso capítulo da estupidez humana, sem que sua última página tenha sido ao certo virada.
Não adianta... Nem o dicionário consegue me justificar uma guerra, que deveria partir de um imensuravelmente sério motivo e que nunca passa de jogos de poder, de dinheiro, de território, de ideologias e de outras imbecilidades mais... Lutar só é válido para se defender do adversário, sobretudo se for uma obrigação imposta pelo inimigo evolutivamente antecessor. Não vale a pena se lutar quando se odeia o adversário por motivos como cor de pele ou religião, ou quando se quer um pedacinho a mais de terra... Tolice!
Realidade à parte, não consigo me conformar com as razões para o estopim de uma guerra.
GUERRA.
1 Luta armada entre nações, por motivos territoriais, econômicos ou ideológicos. 2 Campanha. 3 Luta. 4 Arte militar. 5 Ciência de conduzir um exército em campanha. 6 Coibição, combate de paixões, abusos, vícios etc
História é importante mas não é algo bonito de se estudar não. Tudo bem, eu hei de convir que é preciso aprender história - é preciso aprender sobre os legados lindos de Roma, da Grécia, das civilizações orientais, da Revolução Científica... Pena que isso nos obrigue a aprender sobre os podres da humanidade.
Dores infinitas. Escravidão, revoluções sangrentas, exílio, invasões, colonização.
E as guerras? Guerra do Iraque, do Afeganistão, do Vietnã, do Paraguai.. Guerra dos 7 anos, Guerra dos Cem Anos, Guerra Civil Espanhola, 1ª Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial.. Há dor mais repentina, profunda, intensa e duradoura?
Uns poucos lidam com o jogo da política como lhes convêm e decidem muitas vezes por nações inteiras o envio de tropas, por vezes alienadas, ao campo de batalha. Os soldados vão à guerra prontos para combater um inimigo que quase sempre lhes impuseram como tal. Lutam para matar o adversário, para aniquilar com a honra de um país que sabem que devem detestar, mas devem ter um ódio cujo porquê desconhecem e que muitas vezes nem sentem. Ignorantes, armam acampamento, preparam munições, enchem cantis e partem com as armas empunhadas nas mãos prontas para a tortura. Podem fugir frente à ameaça, mas o objetivo de caçar, apriosionar, torturar (matar, ainda, lhes é inerente, afinal, é matar ou morrer). Líderes, como sempre, preparam emboscadas e armadilhas, organizam a tropa para a luta quase sempre poupando-se de esforços que podem caber a outros. Assim, após um início de muita força e disposição, apesar de um provável receio interior, os homens guerreiros veem-se cansados depois de dias, semanas, meses, às vezes anos lutando, guerreando, se defendendo. Esses soldados, de botinas sujas e roupas maltrapilhas, de coração doído, melancólico, não podem desistir, não têm como voltar atrás. Estão fadados a caminhar em direção ao inimigo, ao ódio, aos tiros, ao estupro - e cada vez mais longe de casa... E assim, um pai, que deixou sua esposa e seus filhos para honrar seu país por um motivo de importância discutível, morreu com um tiro de um outro soldado escondido numa trincheira. Outro não conseguiu se safar de uma armadilha no meio da floresta e - coitado! -, caiu despenhadeiro abaixo. O companheiro ao lado se chocou e até hoje carrega o trauma das suas experiências dolorosas, de vida e de morte, de força e de fraqueza máximas. O saldo final é certo: é sempre de perda. Os baldes de sangue derramados não serão repostos, as cicatrizes serão eternas em cada uma das famílias, em cada um dos países e, sem perdão, a história registra em suas páginas mais um doloroso capítulo da estupidez humana, sem que sua última página tenha sido ao certo virada.
Não adianta... Nem o dicionário consegue me justificar uma guerra, que deveria partir de um imensuravelmente sério motivo e que nunca passa de jogos de poder, de dinheiro, de território, de ideologias e de outras imbecilidades mais... Lutar só é válido para se defender do adversário, sobretudo se for uma obrigação imposta pelo inimigo evolutivamente antecessor. Não vale a pena se lutar quando se odeia o adversário por motivos como cor de pele ou religião, ou quando se quer um pedacinho a mais de terra... Tolice!
Realidade à parte, não consigo me conformar com as razões para o estopim de uma guerra.
GUERRA.
1 Luta armada entre nações, por motivos territoriais, econômicos ou ideológicos. 2 Campanha. 3 Luta. 4 Arte militar. 5 Ciência de conduzir um exército em campanha. 6 Coibição, combate de paixões, abusos, vícios etc
15.8.10
14.8.10
Sobrevivi!!
Sobrevivi à oftamologista tirando a parada que estava há semanas no meu olho machucando minha córnea. SOU PICA!
12.8.10
C1
Se amor a algo leva ao sucesso, meu amor ao alemão me deixa muito próxima do meu cobiçado - embora eu tenha de assumir que sem muito esforço - Deutsches Sprachdiplom (imagina só um C1)..
9.8.10
Ao Coração que Sofre
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
(Olavo Bilac)
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
(Olavo Bilac)
8.8.10
Tiro férias
Esperei meses e mais meses guardando meus poucos dias anuais para usá-los agora. Tiro férias.
Tiro férias dos conflitos do dia a dia. Tiro férias da rotina fatigante que consome todas as forças, que suga toda energia, que cansa o mais bem disposto.
Tiro férias dos meus afazeres. Tiro férias dos compromissos, dos telefonemas, dos e-mails que se acumulam, que me entopem, que me consomem. Tiro férias dos pedidos, dos favores.
Tiro férias dos amantes. Tiro férias dos beijos roubados, do coração saltitante, da emoção ao ouvir uma voz. Tiro férias das confidências bilaterais, dos filmes em boa companhia, do fogo incendiando peito.
Tiro férias dos amigos. Tiro férias das risadas, dos problemas, da via de mão dupla. Tiro férias das tristezas, das companhias, das festas. Tiro férias dos segredos, das feridas, da lealdade.
Tiro férias da família. Tiro férias da falta, do amor puro, da cobrança. Tiro férias do carinho, do zelo.
Tiro férias da casa. Tiro férias da toalha em cima da cama, da escrivaninha entulhada de uma papelada de semanas atrás, da perseguição da vassoura. Tiro férias do armário colorido, das canetas que falham, das plantas que precisam ser regadas.
Tiro férias dos livros. Tiro férias dos contos dolorosos, das histórias instigantes, das biografias heroicas.
Tiro férias das roupas. Tiro férias do jeans, daquela velha blusa um pouco pequena demais, daquela calça que já não entra mais. Tiro férias dos brincos, também, tiro férias das pulseiras e colares e cintos e sutiãs que me amarram. Tiro férias do que combina e do que não combina também.
Dou-me férias de tentar dar o melhor de mim e de viver com intensidade assim...
Ah, mal percebi, neste instante de delírio, que tudo o que eu falei, tudo o que eu pedi, foi o impossível... Não se pode tirar férias da vida. Estou fadada a ficar na mesma estação ou embarcar sem a passagem de volta...
Só preciso mesmo é de férias do relógio e de um pouco de solidão.
Acho que vou voltar ao trabalho.
Tiro férias dos conflitos do dia a dia. Tiro férias da rotina fatigante que consome todas as forças, que suga toda energia, que cansa o mais bem disposto.
Tiro férias dos meus afazeres. Tiro férias dos compromissos, dos telefonemas, dos e-mails que se acumulam, que me entopem, que me consomem. Tiro férias dos pedidos, dos favores.
Tiro férias dos amantes. Tiro férias dos beijos roubados, do coração saltitante, da emoção ao ouvir uma voz. Tiro férias das confidências bilaterais, dos filmes em boa companhia, do fogo incendiando peito.
Tiro férias dos amigos. Tiro férias das risadas, dos problemas, da via de mão dupla. Tiro férias das tristezas, das companhias, das festas. Tiro férias dos segredos, das feridas, da lealdade.
Tiro férias da família. Tiro férias da falta, do amor puro, da cobrança. Tiro férias do carinho, do zelo.
Tiro férias da casa. Tiro férias da toalha em cima da cama, da escrivaninha entulhada de uma papelada de semanas atrás, da perseguição da vassoura. Tiro férias do armário colorido, das canetas que falham, das plantas que precisam ser regadas.
Tiro férias dos livros. Tiro férias dos contos dolorosos, das histórias instigantes, das biografias heroicas.
Tiro férias das roupas. Tiro férias do jeans, daquela velha blusa um pouco pequena demais, daquela calça que já não entra mais. Tiro férias dos brincos, também, tiro férias das pulseiras e colares e cintos e sutiãs que me amarram. Tiro férias do que combina e do que não combina também.
Dou-me férias de tentar dar o melhor de mim e de viver com intensidade assim...
Ah, mal percebi, neste instante de delírio, que tudo o que eu falei, tudo o que eu pedi, foi o impossível... Não se pode tirar férias da vida. Estou fadada a ficar na mesma estação ou embarcar sem a passagem de volta...
Só preciso mesmo é de férias do relógio e de um pouco de solidão.
Acho que vou voltar ao trabalho.
6.8.10
Anti-matéria
Antimatéria. A ideia destoa totalmente do convencional, mas físicos são convencidos de que existe uma matéria que é exatamente o oposto da nossa matéria. Para um próton da matéria temos um antipróton na antimatéria, por exemplo. Fico me perguntando mil coisas a respeito disso..
Se eu não me engano, aproximadamente 4% do universo é constituído por matéria. Ótimo.. E cadê a antimatéria? Não há antimatéria no Sistema Solar, nem na imensa Via Láctea que o abriga nem em qualquer outra galáxia de que tenhamos conhecimento. O conceito de equilíbrio impede, naturalmente, que ambas estejam juntas - não haveria estabilidade física para formação de matéria ou antimatéria ou "antimatéria-matéria" e nós não estaríamos aqui, obviamente - , mas físicos teóricos garantem a necessidade da presença de antimatéria nas mesmas proporções da anti-matéria no universo. Teria o Big-Bang, então, criado duas áreas opostas no universo? Mesmo assim, a ideia não me parece cabível: onde essas duas grandes regiões se tocassem, haveria aniquilamento de matéria e antimatéria e grande emissão de radiação (principalmente de radiação gama, aquela radiação eletromagnética básica sobre a qual estudamos ao tratar de radioatividade, cujas caracterísitacas básicas são seu pouco comprimento de onda e sua alta penetração). Fora isso, simplesmente não haveria formação de matéria porque o choque entre matéria e antimatéria converteria ambas totalmente em energia. Ou seja, como pôde haver antimatéria junto à matéria no pontinho infinitesimal que continua tudo antes da grande explosão? Pra mim, isso simplesmente não faz sentido.
Se eu não me engano, aproximadamente 4% do universo é constituído por matéria. Ótimo.. E cadê a antimatéria? Não há antimatéria no Sistema Solar, nem na imensa Via Láctea que o abriga nem em qualquer outra galáxia de que tenhamos conhecimento. O conceito de equilíbrio impede, naturalmente, que ambas estejam juntas - não haveria estabilidade física para formação de matéria ou antimatéria ou "antimatéria-matéria" e nós não estaríamos aqui, obviamente - , mas físicos teóricos garantem a necessidade da presença de antimatéria nas mesmas proporções da anti-matéria no universo. Teria o Big-Bang, então, criado duas áreas opostas no universo? Mesmo assim, a ideia não me parece cabível: onde essas duas grandes regiões se tocassem, haveria aniquilamento de matéria e antimatéria e grande emissão de radiação (principalmente de radiação gama, aquela radiação eletromagnética básica sobre a qual estudamos ao tratar de radioatividade, cujas caracterísitacas básicas são seu pouco comprimento de onda e sua alta penetração). Fora isso, simplesmente não haveria formação de matéria porque o choque entre matéria e antimatéria converteria ambas totalmente em energia. Ou seja, como pôde haver antimatéria junto à matéria no pontinho infinitesimal que continua tudo antes da grande explosão? Pra mim, isso simplesmente não faz sentido.
Sinceramente, não acredito que os astrônomos que caçam evidências da presença de antimatéria através de radiações vão obter alguma resposta, ao menos em escala significativa. Embora eu seja extremamente leiga no assunto, não consigo imaginar o equilíbrio que nós vivemos num universo que tenha matéria e antimatéria juntas e em proporções semelhantes. Bem, mas se algo for achado, o que eu acredito que não seria nada além um vestígio de antimatéria, apesar de numericamente pouco significativo, poderia nos ajudar muito a entender a nossa origem.
Cara, conseguimos CRIAR antimatéria!! ONDE ELA ESTÁ!? CADÊ ELA NA NATUREZA? Que saco isso!! Não vou nem falar da teoria sobre universos paralelos, é complexa demais e eu não acredito que ela nos ajudaria muito a chegarmos a grandes respostas a respeito desse assunto já que a tecnologia de que dispomos hoje em dia é restrita demais para podermos atribuir limites ao universo e nos imaginar cercados de outros.
Cara, conseguimos CRIAR antimatéria!! ONDE ELA ESTÁ!? CADÊ ELA NA NATUREZA? Que saco isso!! Não vou nem falar da teoria sobre universos paralelos, é complexa demais e eu não acredito que ela nos ajudaria muito a chegarmos a grandes respostas a respeito desse assunto já que a tecnologia de que dispomos hoje em dia é restrita demais para podermos atribuir limites ao universo e nos imaginar cercados de outros.
Claro que alguns dos meus questionamentos devem condizer com o meu olhar físico leigo, mas que os físicos estão indignados com a antimatéria, ah, estão! Eu, então, mera estudante do ensino médio, devo me conformar com a ausência dela em nosso entorno? Se ela TEM que existir, ótimo! Cadê então!?
Oh, vida cruel! Por que não temos um manual de instruções para a física? Porque é preciso de um gênio por vez pra elaborar teorias como as da Mecânica Moderna, a da Relatividade e a das Cordas? Tá, tudo bem, até é ruim não ter todas as respostas, mas é delicioso ficar se perguntando, refletindo, tentando entender todas as maluquices da física que rege tudo o que há - ou que sabemos que há..

4.8.10
A riqueza invisível
Vivemos uma pluralidade cultural excepcional. Cada um que passa por nós, quando caminhamos pelas ruas, traz consigo um universo de singularidades. É no meio dessa mistura de uma sociedade que engloba incontáveis culturas que vivenciamos uma triste realidade: a tensão disfarçada e não assumida da intolerância frente ao que não é igual permeando as relações sociais. O desafio de conviver nos impõe lidar com a diferença, mas isso significa aceitá-la e cooptá-la?
No Brasil, a diferença é a que segrega, a que exclui, a que separa grupos não como distintos, mas como superiores e inferiores. A discriminação devido a hábitos, crenças, costumes e outras particularidades - como a experimentada intolerância sofrida por parte de homossexuais, de religiosos, de mulheres e de cidadãos de baixa renda, por exemplo - faz parte do nosso dia a dia. Mas como uma sociedade como a nossa, fruto de tamanha miscigenação, pode ter alguma expectativa diferente da multiculturalidade? É utopia acreditar numa única cultura que possa ser atribuída a todo o país; vivemos culturas diversas, espalhadas por cada canto, estampadas em cada rosto. Por que ainda insistir em discriminar uma ou outra se não existe soberania cultural?
A falta de respeito com o diferente não se dá apenas em relação à cultura, mas também quanto à etnia. Tomando um contundente exemplo, o negro é tão frequentemente marginalizado que a discriminação parece, às vezes, inata às relações interpessoais. A cidadania se mostra fantasiosa enquanto as raízes históricas do povo são relegadas a um segundo plano. Que ironia é o racismo no Brasil quando o sangue negro corre pelas veias da maioria dos homens desse país! Esse lamentável cenário, herança de um sistema escravista que perdurou até menos de um século atrás, sobrevive embora saibamos, cientificamente, que não há qualquer superioridade étnica. O racismo resiste vergonhosamente impregnado na essência de uma população miscigenada que mascara um convívio ideal.
Falta-nos agregar as diversas culturas e perceber a imensurável riqueza derramada pelas esquinas em cada sorriso de história ímpar. A magia está nas discrepâncias e nesse aspecto podemos nos orgulhar de ter uma das sociedades mais ricas do planeta. Diferença é beleza e a pluralidade cultural é de valor inestimável. Precisamos conhecer sem julgar, ignorando impressões prévias. A diferença pode ser apaixonante – e é! -; basta, como sabiamente sugere o Manifesto do Pau-Brasil, “Ver com os olhos livres”.
2.8.10
Adeus, férias!
Dois tempos de puro Costa e Silva hoje... É, férias, vocês se foram! =( Finalmente aula do Paulinho tranquila e agradável com a imbecil matéria de equilíbrio iônico (minha arrogância me fará errar uma questão sobre o assunto no vestibular). Aula insuportável de alemão... Blá blá blá.. Nada de muito novo que fuja à minha regra de segunda-feira.
Me inscrevi no Ibmec... Enfim, 21 de outubro é nós. Espero que minha nota de redação sirva como parâmetro pros outros vestibulares..
Bem, vou parando por aqui antes que meu post evidencie às pessoas meu recorrente lado babaca de ser.
Me inscrevi no Ibmec... Enfim, 21 de outubro é nós. Espero que minha nota de redação sirva como parâmetro pros outros vestibulares..
Bem, vou parando por aqui antes que meu post evidencie às pessoas meu recorrente lado babaca de ser.
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