Se ele queria azul e eu verde, pouco discutíamos. Eu dizia meia dúzia de palavras, convicta, argumentava desenfreadamente. "Por que você é assim tão eloquente?", ele perguntava. Entre risos e brincadeiras nos divertíamos. Levávamos sempre a tinta verde.
Para um apartamento novo, verde não é nada mau. A casa torna-se quase viva deixando a monotonia do azul e trazendo consigo a dinâmica da natureza. Compramos móveis, uma cama, a geladeira. O apartamento ia ganhando as nossas formas, o nosso contorno. A cama nos abraçava e nós nos abraçávamos e o mundo inteiro nos abraçava.
Ficamos ali por muito tempo. De vez em quando comprávamos algum apetrecho novo e cultivávamos, junto àquelas paredes semi-vivas, nosso amor mais vivo do que nunca.
Aí meus desejos passaram a crescer também.
De início, não brigávamos; bastavam algumas frases para eu convencê-lo de que a minha ideia era boa. Investimos muito do que tínhamos na bolsa, viramos sócios de uma empresa que importava canetas.
Nossas parades verdes já não eram mais quase tão vivas quanto nós. Elas foram sendo esquecidas. De súbito, nossos dias se resumiam a papéis de escritório, a contas, a telefonemas. Enquanto nós ríamos a alegria exaltante do dinheiro, com os dentes saltites, nossas paredes choravam caladas a nossa ausência.
A cama abrigava dois corpos. Ela tentava nos abraçar às vezes, implorando por afago, mas nós nos desvencilhávamos dela ainda de olhos fechados do descanso - não era sono - daquela noite.
Então experimentamos ver nosso dinheiro sumindo tão rápido quanto como surgiu nossa felicidade.
Ele ainda me achava eloquente, porém, de repente, minha voz não era absoluta. Ele ainda cedia, mas não sem discutir e me questionar. Por que raios ele era assim agora?
Corríamos contra o tempo, batalhávamos cada centavo. Se as paredes se sentiam abandonadas, pobre da cama, que agora mal nos acolhia com nossas noites passadas em claro ou nossas sonecas na poltrona do escritório. A solidão não seguiu a etiqueta e não se apresentou a nós, mas fez-se presente como se fosse da casa.
Minhas palavras perderam a doçura e ele parecia cheio de alguma coisa...
As notas desapareceram e só restou o verde das nossas agora tímidas paredes.
Nós nos agarramos ao único fio de esperança para reanimar nosso lar, que degustava o leito da morte: nosso amor. As palavras ternas, os beijos, os abraços de puro carinho, era isso o que tentávamos resgatar. Eu insistia que precisávamos dar uma chance para reaparecer aquele amor que nos acolhia na cama, que pulsava nas paredes, que nos havia levado para aquela casa...
Minha eloquência não foi suficiente e, mesmo que as paredes verdes tenham continuado verdes, elas morreram e ele partiu.
31.1.11
27.1.11
Batalha disfarçada
Empacotada dentro do seu abraço acho o mundo cheio de vida. Passo as mãos em torno do seu pescoço com os fios de barba já querendo crescer de novo e, na ponta dos pés, reconforto a minha cabeça sobre o seu ombro sentindo seu sorriso se formando no contato das nossas bochechas. O peito do meu pé não me deixa ficar assim por muito tempo...
Enfim surge a única tensão dos nossos dias juntos.
Solto você, desço à altura original de olhar para cima para enxergá-lo. Eu desvio o rosto, tento focalizar o chão, mas você cria um campo magnético ao seu redor e eu sou involuntariamente atraída... Aos poucos vou levantando meu olhar até encontrar o seu. Não enxergo mais a Lua crescente, que dirá as estrelas pequeninas que povoam o céu atrás de você. De repente as casas ao seu redor apagam suas luzes e os astros não iluminam mais. O que há em volta? Você prende meus olhos nos seus e eu não resisto, você me atiça, você me obriga, você me joga dentro deles e eu me perco... Mas eu não posso, não devo, tenho de conter a sensação paradoxal de calor e frio que me confundem por dentro... Não vou fazê-lo, não quero que você veja isso com esse seu terno castanho amarrado no meu, não vou deixá-lo saber... Deixa meus segredos em paz!
Uma eternidade se passa enquanto eu tento sufocar o desejo, enquanto seu olhar me faz carícias e me lambuza numa doce sensação que, não importa qual seja, é irresistível... Eu luto tanto, procuro forças e, quando as acho, ainda que poucas, seus olhos de imediato me arrancam-nas, impiedosos, indiferentes ao meu confronto interno, e cada vez me vejo mais fraca para resistir...
Não consigo.
Minha boca desenha um (malditamente irreprimível) sorriso, insufocável demonstração das sensações que dançam inquietas pelo meu peito. Por um instante contenho-o novamente; seguro-o, guardo-o, tento esquecer-me dele e voltar para seus olhos. Ah, seus olhos...
Eis que minha mente desiste da luta e, tremulando a bandeira branca, ergo os cantos dos lábios sussurantes de palavras doces, os mesmos lábios que logo se separam e, num sorriso completo, dizem os mais lindos versos de amor...
Quando me dou conta, você já sorria - e agora se ri de mim... Por quanto tempo você deve ter apreciado aquela tola e inconcebível resistência?
A batalha foi vencida - obrigada por me deixar vencê-la também...
Enfim surge a única tensão dos nossos dias juntos.
Solto você, desço à altura original de olhar para cima para enxergá-lo. Eu desvio o rosto, tento focalizar o chão, mas você cria um campo magnético ao seu redor e eu sou involuntariamente atraída... Aos poucos vou levantando meu olhar até encontrar o seu. Não enxergo mais a Lua crescente, que dirá as estrelas pequeninas que povoam o céu atrás de você. De repente as casas ao seu redor apagam suas luzes e os astros não iluminam mais. O que há em volta? Você prende meus olhos nos seus e eu não resisto, você me atiça, você me obriga, você me joga dentro deles e eu me perco... Mas eu não posso, não devo, tenho de conter a sensação paradoxal de calor e frio que me confundem por dentro... Não vou fazê-lo, não quero que você veja isso com esse seu terno castanho amarrado no meu, não vou deixá-lo saber... Deixa meus segredos em paz!
Uma eternidade se passa enquanto eu tento sufocar o desejo, enquanto seu olhar me faz carícias e me lambuza numa doce sensação que, não importa qual seja, é irresistível... Eu luto tanto, procuro forças e, quando as acho, ainda que poucas, seus olhos de imediato me arrancam-nas, impiedosos, indiferentes ao meu confronto interno, e cada vez me vejo mais fraca para resistir...
Não consigo.
Minha boca desenha um (malditamente irreprimível) sorriso, insufocável demonstração das sensações que dançam inquietas pelo meu peito. Por um instante contenho-o novamente; seguro-o, guardo-o, tento esquecer-me dele e voltar para seus olhos. Ah, seus olhos...
Eis que minha mente desiste da luta e, tremulando a bandeira branca, ergo os cantos dos lábios sussurantes de palavras doces, os mesmos lábios que logo se separam e, num sorriso completo, dizem os mais lindos versos de amor...
Quando me dou conta, você já sorria - e agora se ri de mim... Por quanto tempo você deve ter apreciado aquela tola e inconcebível resistência?
A batalha foi vencida - obrigada por me deixar vencê-la também...
26.1.11
25.1.11
Serene
Gosto tanto de você que às vezes quero devorá-lo. Minha vontade não cabe no espaço do meu corpo, quer se espalhar - e se espalha de tantas formas... Não contenho minhas palavras, meus sorrisos, meu desejo, já transparente no meu rosto ao fim da noite, de vê-lo de novo. Essa alegria é uma companhia tão boa que eu a permito tomar conta de mim. De vez em quanto não consigo segurar um cumprimento da minha emoção... Mas não quero assustá-lo. Gosto das coisas como estão, já vivo muito feliz esses dias com pitadas de você pelas horas que passeiam sorrindo pra mim. Não precisa se precipitar ou se desesperar... Tudo bem. A tranquilidade que mora aqui é tamanha que ela poderia me nutrir pra sempre. Serene... Está tudo bem como está.
Correria
Sou muito maior do que quer meu corpo. Mal caibo em mim... Vez ou outra sinto palpitações e, de algum em algum tempo, tremo tanto por dentro que acho que vou explodir. A alma é grande demais, as emoções não cabem no curto espaço que oferecem os limites físicos... Tenho uma fome voraz de viver. Incendeio por dentro, sinto-me arder o coração os sentimentos que pipocam intercalando-se... Como eu amo essa desordem!
24.1.11
Trabalho de mãe
Brinco com as palavras.
Procuro-as, junto-as, amarro-as.
Encontro-as, rasbico-as, pingo is e jotas.
Reflito um pouco, escolho algumas novas.
Elas aparecem em blocos, em grupos, em pares,
Formam linhas e vão moldando um poema.
Deixo a mente vagar - aí elas vagam também...
Então se misturam, correm uma das outras;
Há as que se abraçam, as que se beijam,
Umas se casam e juram amor eterno...
Algumas preferem se isolar - quase sempre são impedidas.
De vez em quando há as que incendeiam, explodem, desaparecem
Às vezes saem de fininho ou dispensam acentos...
O papel se cansa de tanta correria
Enquanto elas ganham vida própria sobre a folha,
Separando-se, gritando, saboreando,
Unindo-se, apagando-se, sumindo, surgindo, nascendo.
Não consigo pregar os olhos até descansar o caderno -
Ah, essas palavras! Como me dão trabalho essas minhas filhas...
(Mas há como não se amar os filhos?)
Procuro-as, junto-as, amarro-as.
Encontro-as, rasbico-as, pingo is e jotas.
Reflito um pouco, escolho algumas novas.
Elas aparecem em blocos, em grupos, em pares,
Formam linhas e vão moldando um poema.
Deixo a mente vagar - aí elas vagam também...
Então se misturam, correm uma das outras;
Há as que se abraçam, as que se beijam,
Umas se casam e juram amor eterno...
Algumas preferem se isolar - quase sempre são impedidas.
De vez em quando há as que incendeiam, explodem, desaparecem
Às vezes saem de fininho ou dispensam acentos...
O papel se cansa de tanta correria
Enquanto elas ganham vida própria sobre a folha,
Separando-se, gritando, saboreando,
Unindo-se, apagando-se, sumindo, surgindo, nascendo.
Não consigo pregar os olhos até descansar o caderno -
Ah, essas palavras! Como me dão trabalho essas minhas filhas...
(Mas há como não se amar os filhos?)
Estava escrito
Vi escrito por aí
Que a vida me queria sacudir...
Tomou-me um vento forte,
Uma onda assustadora (mas feliz).
Dancei rindo pelas esquinas do bairro,
paguei em rublos pelo jornal de sexta passada,
abracei uma árvore - que já era minha amiga.
Sequer sabia onde estavas...
Chegarias, sabia.
Sabíamos.
Corria desesperada, cheia de ti aqui dentro,
Não continha teu pedaço inquieto,
Ele explodiria se eu esperasse mais para encontrar-te!
Até que, um dia, tiraste-me a máscara...
Nossos olhos se casaram.
Montecchios e Capuletos tremeriam,
Romeu e Julieta nos invejaram.
Que a vida me queria sacudir...
Tomou-me um vento forte,
Uma onda assustadora (mas feliz).
Dancei rindo pelas esquinas do bairro,
paguei em rublos pelo jornal de sexta passada,
abracei uma árvore - que já era minha amiga.
Sequer sabia onde estavas...
Chegarias, sabia.
Sabíamos.
Corria desesperada, cheia de ti aqui dentro,
Não continha teu pedaço inquieto,
Ele explodiria se eu esperasse mais para encontrar-te!
Até que, um dia, tiraste-me a máscara...
Nossos olhos se casaram.
Montecchios e Capuletos tremeriam,
Romeu e Julieta nos invejaram.
Voo
Ando meio perdida. Não sei ao certo aonde meus passos levam meu corpo. Sou levada por um vento forte - desconfio ser um tornado - que não me permite escolha. É, não me importo de não poder decidir. Gosto desse quê de mistério, de dúvida... O ar é gostoso. Inspiro, encho os pulmões de ar e expiro me deliciando com o sabor do respirar. Respiro com calma. Aprecio cada molécula que me percorre peito e que, com seu gosto que degusto feliz da mais pura felicidade, alivia-me de cada angústia - que eu sei que já existiu, mas sequer lembro que forma tinha. Deixo o vento me levar, embargo-me nele inconsequente. Viajo pelo seu som ao colidir com as janelas, ao balançar os galhos, ao desviar de uma porta para tocar minha pele. Não enxergo o vento; aproveito-o. Queria ter asas pra me juntar a ele e voar mundo afora sem a prisão a que me acorrentam minhas pernas. Eu quero sentir mais e mais esse delícia da ventania, quero me jogar vendada e só sentir a brisa me acariciando... Não acompanho mais meu corpo, deixo-me levar por essa onda que me arrasta como bem lhe convém... Talvez eu não precise de asas pra voar, afinal... Meu corpo não sei, mas minha alma voa distraída por aí.
23.1.11
Caro aluno,
Hoje você já é aluno da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antes de tudo, parabéns! Nós sabemos que você fez por merecer esta vaga. Muitos sonharam com isso. No entanto poucos, e você é um desses, conseguiram concretizar esse sonho.
Como aluno da Escola Politécnica você cursará gratuitamente uma das 13 modalidades de engenharia que ela oferece à sociedade. A sua Politécnica/UFRJ é muito mais do que a modalidade para a qual você passou. Ela é a mais antiga Escola de Engenharia das Américas e é também a maior Instituição Federal de Ensino de Engenharia do Brasil. Você agora poderá fazer parte dos mais de 23000 engenheiros que por ela já obtiveram o diploma. O corpo docente da Escola Politécnica da UFRJ é altamente qualificado, mais de 90% dos seus professores são doutores e 21% são mestres. Nossos laboratórios estão entre os mais modernos do país.
Concretizar o novo sonho que começa hoje. Colar Grau e obter Diploma de Engenheiro da Politécnica/UFRJ exigirá de você muito estudo, dedicação, paciência, curiosidade, iniciativa, competência, ou seja, uma enorme vontade de continuar sendo o vencedor que você já demonstrou ser. Nada impossível para quem afinal foi um vestibulando que alcançou o que desejava. A sua vida escolar mudará bastante. Ninguém ficará tomando conta se você está em sala de aula ou não, se você faz exercícios ou não, se procura o professor para tirar dúvidas ou não, etc. Não se iluda com essa falsa liberdade, pois a responsabilidade tornou-se agora muito grande. Acabou o seu tempo de colegial, o patamar agora é superior.
Aqui suas possibilidades são infinitas. Não faltarão as chopadas, os bares, os carteados, os espetáculos musicais, o papo com os amigos... Ou seja, não faltarão motivos para tirá-lo das salas de aula. Mas também não faltarão as bolsas de iniciação científica, de monitoria, as oportunidades de intercâmbio internacional, o envolvimento com a pesquisa e a extensão, a pós-graduação, disciplinas extraordinárias... Ou seja, não faltarão motivos para devolvê-lo às salas de aula. Uma carreira brilhante começa com a soma de tudo isso em proporções adequadas. Saiba fazê-lo. Aproveite.
A Politécnica/UFRJ orgulha-se de recebê-lo e quer contribuir para formá-lo como cidadão. Queremos que, ao terminar o seu curso, você esteja apto a exercer a engenharia, mas que esteja sempre em sua lembrança que foi o Povo Brasileiro que custeou seus estudos e que, portanto, você terá com ele o compromisso de exercer sua profissão com competência, honestidade e responsabilidade com o bem estar deste povo.
Essa escola é sua. Sinta-se em casa. Parabéns a você e seus familiares.
Rio de Janeiro, janeiro de 2011.
Prof. Ericksson Rocha e Almendra
Diretor da Escola Politécnica/UFRJ
Como aluno da Escola Politécnica você cursará gratuitamente uma das 13 modalidades de engenharia que ela oferece à sociedade. A sua Politécnica/UFRJ é muito mais do que a modalidade para a qual você passou. Ela é a mais antiga Escola de Engenharia das Américas e é também a maior Instituição Federal de Ensino de Engenharia do Brasil. Você agora poderá fazer parte dos mais de 23000 engenheiros que por ela já obtiveram o diploma. O corpo docente da Escola Politécnica da UFRJ é altamente qualificado, mais de 90% dos seus professores são doutores e 21% são mestres. Nossos laboratórios estão entre os mais modernos do país.
Concretizar o novo sonho que começa hoje. Colar Grau e obter Diploma de Engenheiro da Politécnica/UFRJ exigirá de você muito estudo, dedicação, paciência, curiosidade, iniciativa, competência, ou seja, uma enorme vontade de continuar sendo o vencedor que você já demonstrou ser. Nada impossível para quem afinal foi um vestibulando que alcançou o que desejava. A sua vida escolar mudará bastante. Ninguém ficará tomando conta se você está em sala de aula ou não, se você faz exercícios ou não, se procura o professor para tirar dúvidas ou não, etc. Não se iluda com essa falsa liberdade, pois a responsabilidade tornou-se agora muito grande. Acabou o seu tempo de colegial, o patamar agora é superior.
Aqui suas possibilidades são infinitas. Não faltarão as chopadas, os bares, os carteados, os espetáculos musicais, o papo com os amigos... Ou seja, não faltarão motivos para tirá-lo das salas de aula. Mas também não faltarão as bolsas de iniciação científica, de monitoria, as oportunidades de intercâmbio internacional, o envolvimento com a pesquisa e a extensão, a pós-graduação, disciplinas extraordinárias... Ou seja, não faltarão motivos para devolvê-lo às salas de aula. Uma carreira brilhante começa com a soma de tudo isso em proporções adequadas. Saiba fazê-lo. Aproveite.
A Politécnica/UFRJ orgulha-se de recebê-lo e quer contribuir para formá-lo como cidadão. Queremos que, ao terminar o seu curso, você esteja apto a exercer a engenharia, mas que esteja sempre em sua lembrança que foi o Povo Brasileiro que custeou seus estudos e que, portanto, você terá com ele o compromisso de exercer sua profissão com competência, honestidade e responsabilidade com o bem estar deste povo.
Essa escola é sua. Sinta-se em casa. Parabéns a você e seus familiares.
Rio de Janeiro, janeiro de 2011.
Prof. Ericksson Rocha e Almendra
Diretor da Escola Politécnica/UFRJ
22.1.11
Historinhaz
A alma a afagar a angústia, a acariciar a agonia; ah, ancião andarilho. Asas
batem, beija-flor brilha. Brotam beijos,
canta-se cada canção, cada cantiga... Coração cria carinho -
Deseja dividir, depois de dolorosas dúvidas,
esse encantamento escandaloso - e ele, enquanto espera, estoura,
fagulha, ferve. Faz falta figurar fotos, focar
gestos, guiar gracejos...
Hoje humilha hediondas heresias,
insulta incertezas instigando imprudentes instintos...
Jazem juntas jangadas
ladeando-se lá longe;
Molhadas moradas marcantes, mágicas,
nunca negligenciadas - nada-se em nostalgia...
Os olhos ouvem outros olhos
palpitantes. Precipitam-se...
Querem querer. Quando quente queimam,
risonhos rostos rubram...
Sobram sussuros. Sonha sozinho seu sorridente sorriso...
Telefonemas tintilam tateando
ultimatos.
Volta... Veste-lhe voraz vontade... Vaga.
Xiu...
Ziguezagueia zelo...
batem, beija-flor brilha. Brotam beijos,
canta-se cada canção, cada cantiga... Coração cria carinho -
Deseja dividir, depois de dolorosas dúvidas,
esse encantamento escandaloso - e ele, enquanto espera, estoura,
fagulha, ferve. Faz falta figurar fotos, focar
gestos, guiar gracejos...
Hoje humilha hediondas heresias,
insulta incertezas instigando imprudentes instintos...
Jazem juntas jangadas
ladeando-se lá longe;
Molhadas moradas marcantes, mágicas,
nunca negligenciadas - nada-se em nostalgia...
Os olhos ouvem outros olhos
palpitantes. Precipitam-se...
Querem querer. Quando quente queimam,
risonhos rostos rubram...
Sobram sussuros. Sonha sozinho seu sorridente sorriso...
Telefonemas tintilam tateando
ultimatos.
Volta... Veste-lhe voraz vontade... Vaga.
Xiu...
Ziguezagueia zelo...
Não falo
Se foi quietinha que eu sumi, acredite, foi porque achei melhor assim. Dizem que atitudes machucam, mas eu vou ser sincera... As palavras são facas às vezes. Eu gosto de você, mesmo. Eu não quero decepcionar você assim... Prefiro o silêncio, portanto. Se minhas atitudes abriram feridas, quero que minha mudez curê-as. Nunca fiz nada por mal, jamais faria. Espero que acredite. Não posso cicatrizar seus machucados, desculpe - espero que você ache logo quem o faça. Minha inconseqüência foi fiel ao seu instinto de causar problemas e cá estou eu, impotente frente a você. Acho que já arranjei palavras demais, isso pode ser perigoso... Vamos protegê-lo então. Eu guardo as palavras, que você guarde a si mesmo, por favor.
Descalça
Ela não sabia o que era o amor e isso nem de longe era problema pra ela. Seus problemas eram outros...
O barulho que ouvia ao caminhar - quando ouvia algo - era o dos seus sapatos batendo ritmadamente na calçada. Era distraída. Arrancou uma flor do gramado ao lado daquela calçada cinzenta de todo o dia. Suas mãos despedaçaram-na no caminho enquanto sua cabeça alternava mil fatos. Os sapatos continuavam os (repetitivos) melodiosos ruídos e tudo o que a cercava não valia a pena ser percebido (exceto a bicicleta de que teve de desviar no caminho).
Essa era ela. Ritmada, contida, indiferente.
Até que uma voz a encantou. Era forte, grave, marcante. Brincava pelo trajeto até seus ouvidos e uma vez lhe petelecou a consciência.
Já não era mais ela.
Caminhava pela mesma calçada cinzenta, mas agora o barulho dos seus sapatos era baixo demais perto do farfalhar das folhas. E, no fim da tarde, as cigarras cantarolavam junto aos outros insetos tão alto e numa melodia tão inconstante que ela era surda aos sapatos. Ainda olhava os olhos do pedestre com quem cruzava - não via, olhava - e enxergava uma pessoa que, assim como ela, carregava algo além dentro de si.
Não vivia mais as sequências que marcavam seus sapatos, mas sim alternadas - e encantadoras - melodias.
Viu uma flor no chão. Desta vez não a arrancou, mas a colheu... Em vez de arrancar suas pétalas, olhou curiosa e atentamente para seu miolo. A flor sorria para ela e no seu cheiro, que dançava pelo ar, eis que surgiu ele...
Ela não foi mais a mesma desde que o amor lhe apareceu. O que importava agora era se sentir descalça, era apenas não ouvir mais o barulho dos seus sapatos.
21.1.11
chocolate
A saudade foi deixada na cama, no lençol, nas cobertas. Os beijos acalentaram meu carinho, e seus olhos... Descansei meus olhos neles toda a noite e, quando o sol surgia silencioso no horizonte, eles ainda bocejavam, preguiçosos de se levantar... Duvidava haver magia, mas os sentimentos bombeando pelas veias num ritmo incessante eram mesmo mágicos. Eles coloriam a pele de vermelho, um vermelho vibrante que exclamava sua vivacidade. E o calor que corria pelas mãos, pelas pernas, pela espinha, estava enfeitiçado. Um vento me fez cosquinha no rosto e meu sorriso transparecia a felicidade que palpitava por dentro de mim. Quando vi, não era mais o vento, eram seus dedos brincando com as covinhas do meu rosto - e meu olhar foi todo seu... Talvez fosse sua franja lhe escorrendo tímida pela testa ou ainda resquícios daquele corpo em chamas o que me faziam querer caber dentro do seu abraço e admirar, até que meu sorriso hesitasse sobre durar pela eternidade, cada lindo centímetro seu. A saudade tem me visitado e eu ainda não me encontro tão bem nos seus olhos, mas acho que o que eu mais amo é me perder naquele misterioso castanho-chocolate...
17.1.11
Despedidas à...
Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!
Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando...
Sinto o peito doer na despedida...
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida...
Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer...
Em teus braços minh’alma unir à tua
E em teu seio morrer!
Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem...
De noite mandarei-te os meus suspiros
No murmúrio da aragem!
Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em pranto...
Verei os olhos teus!
Mas antes de partir, antes que a vida,
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!
Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar... eu o primeiro!
A ventura negou-me... mesmo até
O beijo derradeiro!
Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade...
Adeus, meu anjo, adeus!
(Álvares de Azevedo)
Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!
Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando...
Sinto o peito doer na despedida...
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida...
Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer...
Em teus braços minh’alma unir à tua
E em teu seio morrer!
Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem...
De noite mandarei-te os meus suspiros
No murmúrio da aragem!
Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em pranto...
Verei os olhos teus!
Mas antes de partir, antes que a vida,
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!
Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar... eu o primeiro!
A ventura negou-me... mesmo até
O beijo derradeiro!
Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade...
Adeus, meu anjo, adeus!
(Álvares de Azevedo)
14.1.11
Explosão
"Fernanda, a Ju falou que o ENEM saiu". Corri desesperadamente e vi, enquanto meu computador saía do "hibernar", que eu tinha 7 ligações perdidas e uma mensagem. Procurei no Google o site do ENEM, digitei meu CPF, minha senha e eis que surgem minhas notas, lindas... E meu 1000 em redação. No MSN sobe uma janelinha dizendo "parabéns!"... E era a UFRJ! =')
Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
"Um pólo de tradição e evolução no ensino da engenharia no Brasil.
A Politécnica da UFRJ, há bem pouco tempo denominada Escola de Engenharia da UFRJ, tem sua trajetória ligada à própria história do desenvolvimento científico, tecnológico e cultural brasileiro. Sua origem remonta a 1792, sendo o primeiro curso regular de engenharia das Américas e o mais antigo curso superior do País.
Com 227 professores altamente qualificados, dentre eles, 214 mestres e/ou doutores, a Escola Politécnica da UFRJ é, hoje, a maior escola federal de ensino de engenharia do Brasil.
Localizada na Cidade Universitária (Ilha do Fundão), em uma área de aproximadamente 4.500 m², a Escola Politécnica da UFRJ faz parte do Centro de Tecnologia (CT/UFRJ). É neste espaço que estão concentradas as principais atividades de ensino, pesquisa e extensão em engenharia da UFRJ, fazendo da Politécnica da UFRJ uma das mais completas instituições de ensino da engenharia."
"Um pólo de tradição e evolução no ensino da engenharia no Brasil.
A Politécnica da UFRJ, há bem pouco tempo denominada Escola de Engenharia da UFRJ, tem sua trajetória ligada à própria história do desenvolvimento científico, tecnológico e cultural brasileiro. Sua origem remonta a 1792, sendo o primeiro curso regular de engenharia das Américas e o mais antigo curso superior do País.
Com 227 professores altamente qualificados, dentre eles, 214 mestres e/ou doutores, a Escola Politécnica da UFRJ é, hoje, a maior escola federal de ensino de engenharia do Brasil.
Localizada na Cidade Universitária (Ilha do Fundão), em uma área de aproximadamente 4.500 m², a Escola Politécnica da UFRJ faz parte do Centro de Tecnologia (CT/UFRJ). É neste espaço que estão concentradas as principais atividades de ensino, pesquisa e extensão em engenharia da UFRJ, fazendo da Politécnica da UFRJ uma das mais completas instituições de ensino da engenharia."
13.1.11
5.1.11
Hino do Colégio Cruzeiro
Firmado na pátria do Cruzeiro
Revela na história
Do pequeno ao grande brasileiro,
Saber iluminado
Embelezando o Rio de Janeiro.
Traça caminhos novos e seguros,
Une o Brasil à Alemanha,
Desbrava matas e muros,
Ergue a Educação na nação do futuro
E conclama a razão em chama.
Não há esforço perdido,
Nenhuma tarefa é em vão!
Passam as nuvens do desconhecido,
Nasce a palavra de realização.
Colégio Cruzeiro cinge
Nas estrelas do peito o ideal,
Trabalhar, estudar e cooperar
Na formação do homem integral!
Revela na história
Do pequeno ao grande brasileiro,
Saber iluminado
Embelezando o Rio de Janeiro.
Traça caminhos novos e seguros,
Une o Brasil à Alemanha,
Desbrava matas e muros,
Ergue a Educação na nação do futuro
E conclama a razão em chama.
Não há esforço perdido,
Nenhuma tarefa é em vão!
Passam as nuvens do desconhecido,
Nasce a palavra de realização.
Colégio Cruzeiro cinge
Nas estrelas do peito o ideal,
Trabalhar, estudar e cooperar
Na formação do homem integral!
2.1.11
Plutão
Por uma órbita esquisita
No frio dos confins do Sistema Solar
Passeia uma bolinha
Gelada e de metano,
E rochosa.
Bilhões de quilômetros separam
Nossa casa da esfera pequenina
Tão distante...
O Sol lhe é apenas um pontinho no céu
Em torno do qual, em muitos anos, ele gira...
Plutão não é mais planeta.
Muito pequeno, muito torto;
Caronte o faz planeta binário?
Que planeta não tem domínio gravitacional?
Os astrônomos batem o martelo.
Culpa do astro Éris -
Mas também se acusa Ceres...
Plutão é anão.
Mas na dança cósmica, às vezes,
Netuno está tão longe!
Então surge nosso amigo, tímido...
Será que ele aparecerá agora,
um ex-planeta rebaixado?
Pobre planetoide, fadado a congelar
(A quanto tempo-luz daqui?)
Querido Plutão,
para mim, você será sempre o nono;
nada de planeta-anão!
Você será sempre meu nono planeta,
O meu planeta Plutão.
Es war einmal...
Es war einmal ein alter Mann, der jeden Morgen einen Spaziergang am Meeresstrand machte. Eines Tages sah er einen kleinen Jungen, der vorsichtig etwas aufhob und ins Meer warf. Der Mann rief: "Guten Morgen. Was machst Du da?" Der Junge richtete sich auf und antwortete: "Ich werfe Seesterne ins Meer zurück. Es ist Ebbe, und die Sonne brennt herunter. Wenn ich es nicht tue, dann sterben sie." "Aber, junger Mann", erwiderte der alte Mann, "ist dir eigentlich klar, dass hier Kilometer um Kilometer Strand ist. Und überall liegen Seesterne. Du kannst unmöglich alle retten, das macht doch keinen Sinn." Der Junge hörte höflich zu, bückte sich, nahm einen anderen Seestern auf und warf ihn lächelnd ins Meer. "Aber für diesen Einen macht es Sinn!"
Auch aus Steinen, die dir in den Weg gelegt wurden, kannst du etwas Schönes bauen!
Auch aus Steinen, die dir in den Weg gelegt wurden, kannst du etwas Schönes bauen!
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