22.3.11
Lua
Olho para a infinidade de escuridão em que piscam todos aqueles pontinhos. Se nenhuma luz fosse acesa aqui na Terra, certamente seria o oceano de estrelas preso sobre as nossas cabeças o nosso aconchego de cada noite. Quando as nuvens me cedem uns minutos de paixão, esse é o meu aconchego pessoal. Meus olhos, como se fora do meu controle, não se cansam de procurar pelo brilho de cada estrela perdida na imensidão desse céu, uma mais distante do que a outra... Saber que umas talvez nem existam mais é um encanto, um devaneio dos olhos, a prova mais acessível dos limites físicos do universo - da nossa casa. O fascínio que as distâncias astronômicas e que os corpos gigantescos exercem é evidente na curiosidade vibrante dos olhos brilhantes - refletem do brilho do céu ou a emoção de um grande amor? E umas estrelas, unidas por linhas imaginárias, formam umas figuras, despertam a imaginação... Em algumas horas, umas sumirão, outras aparecerão; Vênus nos trará a graça de sua presença e irá surgir ali, pouco acima do horizonte, nos chamando a despertar para os céus. Antes disso, com a mente e o coração imersos na magia que guardam aquelas estrelas, chama minha atenção o coração dos terráqueos no azul. A Lua surge, amarela, baixa, tão apaixonante que penso no que fazer para alcançá-la. Ela reflete a luz do Sol que, caridoso, nos cede o deleite de aproveitar o céu noturno, e ela brinca de apaixonar os homens e sumir poucas horas depois, largando-os solitários e saudosos... Ela caminha pelo breu iluminando as nuvens que surgem ao seu redor e me convida a admirá-la. Então a Lua, como quem quer mergulhar na Terra, se revela alva, brilhante, estonteante. Meu coração para por um instante e decido que não quero mais nada além dela. Através das lentes observo aquela obra-prima da Natureza enquanto penso em desbravar o Mar da Tranquilidade... As horas vão passando e nós ficamos ali, confidenciando segredos, dando atenção às outras belezas que povoam o céu, nutrindo esse amor cego em mim. Ela se despede, desaparece pelos céus, me deixa desamparada. Vou me deitar com sua imagem colada à retina, com a ansiedade de quem conhece a paixão. Pobre dos meus namorados, dos meus amores terrestres... Nada amarei mais do que a Lua.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário