A essência das coisas,
O sentido das coisas,
O motivo do ser...
Já diria o mestre dos cabelos louros,
olhos azuis e olhar campestre:
As coisas existem
Porque existem.
O sentido é
Não ter sentido.
mon effondrement particulier
15.7.12
28.3.12
É isso o amor
21:18h e os olhos se descontrolam. É necessário muito esforço para pôr os pulmões num ritmo cadenciado. A ideia do descontrole deve ser contida - assim como a da exposição emocional, sabe-se lá por quê. Abraçar, virar, ouvir a voz, rir. Caminhar, sentar, abraçar, segurar a mão; manter a respiração controlada. Concilia as emoções sem perceber o que está prestes a acontecer.
Proceed to gate.
Os pés seguem além do próprio controle; por eles, passariam dias a fio colados ao chão enquanto as mãos não arriscariam desprendimento. Caminham... É perto demais, já dá pra ver. 10 metros... 5... Nenhum...
É no choro embargado em saudade (e medo?) que se dá o lapso de consciência - é um adeus. Os olhos molham o rosto, mas já é tarde: o abraço se desfez e os passos levam a um inevitável afastamento; foi. A razão não deixa dúvidas, entretanto sussurra a saudade ainda: não é verdade. O corpo desaparece e não torna a aparecer - foi só uma brincadeira boba!; não, não foi. É real.
Sonhando à noite com as próximas semanas e com as distâncias físicas e temporais a emoção começa seus breves pousos... Enfim está para se dar a inundação sentimental.
Narro um capítulo da história do maior amor do mundo.
18.2.12
Hora de dormir
Dançam, os pensamentos
Bailam juntos no salão
E é impossível ter um
Sem se deixar tomar pelo outro...
Ele me toma pela mão -
Com licença, moça -
E logo já sou dele...
Dele ou do outro...
Dele e do outro...
Ou sou só dele ou já vejo um outro.
As luzes fazem só penumbra,
O balanço é lento.
A melodia transita entre
O clássico e silêncio sepulcral.
Vejo um casal se confrontando:
Ela não aceita; ele insiste.
Meto-me no meio e o puxo -
Por favor, um instante -
Sorrio pra ela e o tento,
Com um olhar dúbio.
Afastamo-nos:
Sou dele.
Logo volto para elas,
Ouço suas lamentações e, céus!
Ela tem um ponto!
Ah, largo esses tontos!
Há tantos por aí a valsar...
O lustre que pende reflete a luz,
O cristal multiplica e a reflete, tão tênue.
Procuro a claridade e encontro-a em cada canto do salão.
Deslizo pelo chão... Macio, derrapante.
Um braço me contorna a cintura e me guia...
Sussurra-me...
Leva-me...
Respiro fundo, me desvencilho...
Já sou tomada novamente.
E de novo...
E de novo...
O ar do salão é como o cheiro da chuva.
Devaneios.
(No que eu pensava mesmo?)
3.12.11
você
Há tantos cheiros seus e há tanto de você em tantos cheiros seus. As memórias de cada aroma me jogam no passado que eu apaixonadamente compartilhei com você - nos dias de verão compulsoriamente passados no ar condicionado, na vez em que você me puxou pela cintura e, embora magoada, não pude evitar meu amor, nos seus olhos vermelhos desequilibrando lágrimas por eu precisar ir e deixá-lo com febre em casa, na euforia escondida da minha mente entrando em colapso por beijá-lo, na vez em que descansaríamos por 15 minutos antes de estudarmos e acabamos deixando toda a noite correr, em quando você realmente sugeriu que fizéssemos algo e fez de mim a pessoa mais feliz entre as milhões da cidade, nas noites em que eu notava Vênus ali, nos observando e nos dizendo, enquanto refletia nos seus olhos: "cá está um pouco de amor pra vocês também" - era só mais um pouco mais do sentimento que você há muito regava em mim.
22.11.11
Sentir...
Sentir, sentir, sentir. Acompanhar. Deitar. Entrelaçar. Sentir, sentir, sentir. Olhar. Sorrir. Rir. Dizer. Sentir, sentir, sentir... Confessar. Apaixonar. Entregar. Sentir, sentir, sentir... Sentir. Abraçar. Beijar. Admirar. Sentir, sentir, sentir - sentir. Afagar. Fechar. Deslizar. Sentir, sentir, sentir... Sentir... Sentir... Abrir. Amar. Sentir... Sentir... Sentir...
Ser.
7.11.11
É noite,
É noite e estou caminhando por uma rocha... Não consigo perceber os detalhes à minha volta: só sei que está escuro e não há nada ao meu redor além do chão. Isso parece uma falésia, quem sabe? Tudo está escuro e ela está coberta por musgos... Distraidamente olho para cima - o céu está preto e não há sinal de estrelas. Caminho não sei para onde. De repete dou um passo em falso - vou cair, despencar! Meu corpo se sacode, dá um pulo - e bagunça as cobertas. Era só um sonho, enfim.
30.10.11
O sol sumiu
O calor capaz de derreter uma rocha parecia que reinaria absoluto - isso até a chuva me levar assustada à janela enquanto a noite relampejava como se a chuva quisesse dizer, atrasada na festa: "ei, estou aqui também".
1.10.11
| Capricórnio - 22/12 a 20/01 |
Cultivar boa imagem e levar em conta o que os outros estão pensando sobre ela pode ser importante para você, mas na primeira semana o que mais terá importância é considerar o que tem eco e validade para sua pessoa, em primeiro lugar. Você poderá se surpreender e descobrir mais liberdade.
Vivências intensas e dramáticas por volta da Lua crescente em Capricórnio, no dia 4, colocam em movimento todo um processo de revitalização e alinhamento com sua natureza verdadeira – a mais honesta possível. Você estará preparado para se perguntar se determinadas atividades, posições, imagens e sua carreira são condizentes com quem você é. Provavelmente, terá de mudar alguma coisa no mundo lá fora para que ele se torne mais harmonioso e coerente com essa nova pessoa que vai nascendo, mais consciente e desligada de apegos inúteis.
A partir da segunda semana, será mais e mais importante retomar o que você deixou parado, resgatar projetos e interesses e se questionar, sem máscaras. Claro que é mais fácil fazer isso de você para você mesmo. Mas os resultados podem surgir a partir da Lua cheia em Áries, que ocorre no dia 11. Nos dias seguintes, além de estar mais animado e voltado para a sua vida pessoal, chega a hora de atender e cuidar do que ninguém vê, como a sua intimidade e os sentimentos.
Depois de confrontar desejos com realidade na primeira quinzena e de projetar suas esperanças e anseios no futuro, chega a hora de trabalhar firme pela realização de seus sonhos mais caros. O Sol dá o sinal verde em 23 de outubro, quando ingressa no concentrado e persistente Escorpião, signo amigo do seu. Por falar em amigos, eles não faltarão a partir desta data. Serão como boas almas ou anjos zelosos que ajudarão você a realizar um projeto ou chegar mais perto de uma meta.
Se você anda pensando em entrar para um clube, este é o momento certo de pedir para que um amigo o indique.
Será assim que então poderá olhar para trás e ver que outubro foi um mês em que andou muito, não na direção do que a sociedade esperava de você, mas do que precisa e de quem é, no miolo do coração.
Saúde
Grande poder de regeneração está em movimento neste mês e você pode se valer dele em todo tipo de tratamento e cura que estiver fazendo. Pele, cabelos, dentes e sistema urinário devem ficar sob controle. Se você já tem problemas, redobre a atenção e busque, na primeira quinzena, soluções novas. Serão mais efetivas. A partir da segunda quinzena, mais vitalidade e resistência. Porém mantenha uma rotina de desintoxicação e respeito aos horários de sono, especialmente de 28 a 31 de outubro.
Amor
As duas primeiras semanas do mês prometem variedade, movimento e um colorido especia. Os assuntos da família e da vida íntima ganham mais destaque ainda após a Lua cheia em Áries, no dia 11. Provavelmente, terá de tomar decisões relevantes em 11, 12 ou 21 de outubro, que têm direta relação com seus país ou pessoas mais velhas. O peso dos sentimentos será decisivo, então se prepare para lutar pelo que acha certo nestes dias, pois não obterá apoio facilmente.
Na virada da primeira para a segunda semana, Mercúrio e Saturno anunciam que será mais difícil estar ao lado dos que ama, provavelmente devido a obrigações ou funções que você assumiu anteriormente. Não será possível adiá-las ou suspendê-las, portanto não se culpe por isso.
Se deseja acabar de uma vez com uma relação chata e desgastante, preste atenção no período a partir do dia 20, quando a Lua minguante em Câncer e um excelente aspecto entre Júpiter e Saturno fortalecem suas decisões. As coisas acontecerão em clima de carinho e muita dignidade.
Se amigos ou amores se vão em outubro, é também verdade que você irá recuperar o gosto por alguns dos mais fiéis companheiros que tem. A partir da terceira semana, o céu protegerá suas amizades como nunca. Um amor pode virar amizade da terceira para a quarta semana, portanto fique de olhos bem abertos por onde andar nestes dias.
No amor, quanto mais encontro mental e interesses objetivos você sentir que tem com a outra pessoa, mais irá se engajar e fazer de tudo para que a parceria dê certo. Em outubro, você está ligado em projetos, planos a dois e esperanças compartilhadas. Caso a outra pessoa esteja um pouco ausente, avalie se o que está faltando é dialogo. Mercúrio pode ter todas as respostas entre 25 e 28, mas cuidado com agressões inúteis.
Novas amizades podem e devem ser reforçadas a partir da Lua nova em Escorpião. O ponto alto desta tendência ocorre de 26 a 29 de outubro. Você pode conhecer alguém que terá impacto em sua maneira de encarar a vida e será um amigo de verdade.
Finanças
Sem dúvida, um dos melhores meses do ano para focalizar esforço e criatividade na carreira é quando o Sol transita Libra. Em 2011, isso se estende até 23 de outubro. Será também um período de colheitas. Se você fez tudo direito, pode esperar mais destaque, sucesso e prestígio nestas semanas. Caso contrário, é possível corrigir o que não saiu como você esperava.
Por falar em correções e avaliações, atente para a terceira semana, quando diversos aspectos astrológicos sinalizam decisões pautadas por um forte senso de realismo e decepção. Você poderá finalizar uma parceria que não vem dando resultado a partir da Lua minguante em Câncer, no dia 20. O ritmo se torna mais calmo também para adaptar-se a novas requisições do trabalho.
Prepare-se para receber um convite interessante por parte de um amigo ou uma pessoa que você conhece pela profissão. Se a intenção for se associar a um clube de investimentos, também pode ser este o caso. Desde o fim de outubro, a conjuntura astral pode favorecer as iniciativas tomadas em conjunto. Como você tem o pé no chão, dificilmente vai cair em armadilhas financeiras. Peça tudo assinado e bem documentado.
Outubro é o mês ideal para você se associar a entidades de classe e, por meio delas, intervir para criar um futuro melhor para quem faz parte de sua profissão ou carreira. Portanto, pequenos investimentos financeiros cabem na medida certa aqui. Eles serão seus passaportes para agir em conjunto.
Quanto a dinheiro e bens materiais, anote os dias 20 a 22, quando Mercúrio e Netuno formam um lindo aspecto e sinalizam uma chance de investimento em algo idealizado por você. De resto, será um mês de colheitas. No dia 31, evite fazer transações de grande vulto, tenha cuidado com cartões de crédito na internet e não assine contratos sem ler as entrelinhas.
20.9.11
Colorir
Hoje acordei decidida a mudar.
Os tons que me preenchem a vida não são os que eu quero...
O trabalho de montar o quarto...
De enchê-lo de quadros... De recriar as janelas...
De colocar na casa um telhado novo...
As reticências me levam numa correnteza...
Onda forte...
Difícil fugir.
Difícil mesmo é enxergar o principal trabalho:
O trabalho de desmontar o quarto...
De arrancar os quadros... De consertar as janelas...
De destelhar a casa - de telhas tão fracas! - para, enfim, colocar um telhado novo...
As reticências me levam numa correnteza...
Onda forte...
Mais forte ainda é a sede voraz por viver,
Por fazer,
Por crescer,
Por me preencher,
Por ser.
Recrio e invento cores,
Pinto as paredes do meu quarto,
Arranco quadros e desvio dos pregos espalhados pelo chão,
Colo pelos cantos recordações e saudades,
Enxergo as cores que eu quero que preencham a minha vida.
A vida sempre pode recomeçar;
E, ao me dar conta das sutilezas dos tons que me encantam,
Começo a recolorir e recriar a vida.
Faço-me, enfim, nova.
Farei-me, enfim, feliz.
8.9.11
Noite morta
Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.
Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.
No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.
O córrego chora.
A voz da noite...
(Não desta noite, mas de outra maior.)
Manuel Bandeira
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.
Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.
No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.
O córrego chora.
A voz da noite...
(Não desta noite, mas de outra maior.)
Manuel Bandeira
Petrópolis, 1921
31.8.11
O universo não é uma idéia minha.
A minha idéia do universo é que é uma idéia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos.
A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.
Alberto Caeiro
30.8.11
15.01, dia da inevitabilidade heroica
Quinze da Janeiro
Dia da inevitabilidade heroica
Nascidos neste dia: Martin Luther King Jr. (líder americano dos direitos civis, prêmio Nobel da paz, pastor, fundador da Southern Christian Leadership Conference, assassinado), Joana d'Arc (visionária francesa, líder militar, morreu na fogueira), Molière (dramaturgo francês, O Misantropo), Aristóteles Onassis (armador e magnada grego), Lloyd Bridges (ator de cinema e televisão, pai de Beau e Jeff), Margaret O'Brien (atriz de cinema), João Batista Figueiredo (militar e ex-presidente do Brasil), Flávio Cavalcanti (jornalista e apresentador de televisão).
Os nascidos no dia 15 de janeiro deparam-se inevitavelmente com o tema do heroísmo em suas vidas. É seu dever, ao mesmo tempo, localizar o centro destemido dentro de si e, após descobri-lo, confiar nele em situações de crise e estresse. Com frequência, os nasicdos neste dia não têm consciência de sua natureza heroica, até que o destino lhes apresente um desafio que a revela totalmente. Até este momento, é muito provável que levem uma vida razoavelmente moderada, talvez comum. O evento ou eventos que levam a essa ocorrência provavelmente se dão no final da faixa dos vinte anos de idade.
Os nascidos em 15 de janeiro, muitas vezes, manifestam alguma forma de idolatria ou outra fixação romântica por heróis em sua infância, sejam figuras reais ou fantasiosas. Essa pessoa pode até mesmo ser um dos pais, mas é mais provável que seja uma pessoa substituta, pela qual se sentem atraídos. Assumir o papel de herói ou heroína pode ser como um ato de iniciação, um rito de passagem, para os nascidos em 15 de janeiro, que podem ter dificuldades em ir mas fundo em seu desenvolvimento até que tenha ocorrido. Algumas pessoas nascidas neste dia apenas realizam tal destino quando elas mesmas se tornam pais e ocupam um lugar heróico aos olhos dos próprios filhos.
Os nascidos em 15 de janeiro podem ou não ser sociáveis, mas sentem-se magneticamente atraídos para certas figuras-chave no início da faixa dos trinta anos, que não apenas inspiram-nos, mas também os ajudam em seu processo de autodescoberta. Esses guias, instrutores ou
mentores em geral geral, exercem profunda influência em sua carreira. O amor, ou pelo menos a amizade e a afeição profunda, em geral figuram proeminentemente em seus relacionamentos.
Expressar revolta é parte fundamental da maturidade das crianças e dos jovens nascidos neste dia. Sentem a injustiça muito intensamente e estão, portanto, prontos para lutar contra qualquer forma de opressão ou intolerância que encontrem. Muitas têm um exterior aprazível, até mesmo inocente, que não corresponde à sua força interior. Aqueles que tentam tirar vantagem dos nascidos em 15 de janeiro porque suspeitam que sejam fracos, ingênuos ou crédulos terão uma grande surpresa. Os nascidos em 15 de janeiro aprendem rapidamente com as próprias experiências e, em geral, aprovam a frase: "Me faça de bobo uma vez, será uma vergonha para você, me faça de bobo outra fez, e será uma vergonha para mim."
Os nascidos em 15 de janeiro devem tomar cuidado com a tendência a permitirem que alguém que possa magoá-los se aproxime deles. Por outro lado, não devem erguer um muro ao seu redor após terem sido traídos ou humilhados. Encontrar um equilíbrio entre abertura e segurança é um verdadeiro desafio.
Finalmente, os nascidos em 15 de janeiro devem tomar cuidado para não se entregarem demais aos prazeres sensuais, pelos quais têm um fraco. Às vezes, sua energia pode ser desviada para assuntos que não merecem sua consideração. Devem também equilibrar o desejo de controlar o ambiente e permanecerem abertos ao crescimento e à mudança, característicos da evolução.
Números e planetas
Os nascidos no décimo quinto dia do mês são regidos pelo número 6 (1 + 5 = 6) e pelo planeta Vênus. Os regidos pelo número 6 tendem a ser carismáticos e, às vezes, até mesmo inspiram idolatria nos outros. No entanto, para os nascidos nesse dia a influência conjunta de Vênus e Saturno (regente de Capricórnio) concede uma natureza muito complexa e emocional, que pode significar problemas e frustrações nos relacionamentos. Com frequência, conflitos arraigados com um pai têm de ser trabalhados antes que seja possível um crescimento posterior.
Tarô
A décima quinta carta dos Arcanos Mariores, O Diabo, indica um temor/desejo dinâmico em relação à atração sexual, irracionalidade e paixão. O Diabo nos mantém escravos através de nossa necessidade de segurança e dinheiro; ele representa nossa natureza básica buscando
segurança; ele nos controla através de diferenças irreconciliáveis existentes em nosso lado masculino/feminino. O lado positivo desta carta é a atração sexual e a expressão de desejos passionais. Mas a carta lembra-nos que, embora estejamos ligados ao nosso corpo, nosso espírito é livre para voar. Os nascidos em 15 de janeiro devem evitar tornar os outros excessivamente dependentes deles ou usarem seu poder coercitivo de forma anti-ética.
Saúde
Os nascidos em 15 de janeiro, em geral, têm problemas que envolvem os aspectos mais sensíveis de sua natureza. Por exemplo, podem ser periodicamente superindulgentes ou, ao contrário, avessos à comida e ao sexo, o que é sintomático de sua ambivalência emocional subjacente. Tais problemas em geral resultam de experiências infantis negativas com um ou dois dos pais. Os nascidos em 15 de janeiro devem tomar cuidado para não usarem as emoções como armas ou dispositivos de manipulação, sobretudo se e quando são crianças. Aprender a cozinhar bem é importante para os nascidos em 15 de janeiro pois isso os torna mais propensos a desenvolver uma atitude saudável para com a alimentação. Esportes e exercícios de todos os tipos são recomentados, sobretudo os praticados em equipe que os ensinem habilidades sociais e físicas.
Conselho
É inevitável que desempenhe seu pape heróico. Certifique-se, porém, de que ele esteja a serviço de objetivos dignos. Seja arguto, mas também aberto a mudanças. Descubro o que funciona para você. Aprenda a esperar e quando agir - encontre o lugar e o momento certo para todas as coisas.
Meditação
Nas grandes batalhas da vida, as armas mais poderosas são, com frequência, a sabedoria e a compreensão
Pontos fortes
Idealista, bon vivant, heróico
Pontos fracos
Indulgente, inseguro, idólatra
25.8.11
Sol na casa 1, lua na casa 12
25/08 (hoje) às 7h51 a 27/08 às 7h05
A Lua está quase nova no céu, transitando pela Casa 12, enquanto que o Sol se encontra na Casa 1, entre os dias 25/08 (hoje) às 7h51 e 27/08 às 7h05. A sua sensibilidade estará também mais ativa, de modo que neste período há o risco de você ter reações um pouco exageradas a determinadas coisas que em outros momentos sequer lhe incomodariam. Lembre-se de refletir neste momento, e procurar observar se você não está tendo reações um pouco exageradas. É possível, inclusive, que você venha a ficar lembrando de coisas não muito agradáveis... Que tal ter uma postura prática em relação a tais questões, Fernanda? Sol e Lua se reencontrarão em poucos dias, na fase da Lua Nova, que representa um momento de renascimento geral. Procure, nestes dias, meditar e refletir a respeito das coisas que você modificaria em si.
A Lua está quase nova no céu, transitando pela Casa 12, enquanto que o Sol se encontra na Casa 1, entre os dias 25/08 (hoje) às 7h51 e 27/08 às 7h05. A sua sensibilidade estará também mais ativa, de modo que neste período há o risco de você ter reações um pouco exageradas a determinadas coisas que em outros momentos sequer lhe incomodariam. Lembre-se de refletir neste momento, e procurar observar se você não está tendo reações um pouco exageradas. É possível, inclusive, que você venha a ficar lembrando de coisas não muito agradáveis... Que tal ter uma postura prática em relação a tais questões, Fernanda? Sol e Lua se reencontrarão em poucos dias, na fase da Lua Nova, que representa um momento de renascimento geral. Procure, nestes dias, meditar e refletir a respeito das coisas que você modificaria em si.
9.8.11
CAPRICÓRNIO (de 22 de dezembro a 20 de janeiro)
A capricorniana é capricornial
Como a cabra de João Cabral.
Eu amo a mulher de capricórnio
Porque ela nunca lhe põe os próprios.
A caprina é tão ciumenta
Que até o ciúmes ela inventa.
Mulher fiel está aí: é cabra
Só que com muito abracadabra.
Suas flores: a papoula e o cânhamo
De onde vem o ópio e a maconha
Ela é uma curtição medonha
Por isso nos capricorniamos.
Vinícius de Moraes
Como a cabra de João Cabral.
Eu amo a mulher de capricórnio
Porque ela nunca lhe põe os próprios.
A caprina é tão ciumenta
Que até o ciúmes ela inventa.
Mulher fiel está aí: é cabra
Só que com muito abracadabra.
Suas flores: a papoula e o cânhamo
De onde vem o ópio e a maconha
Ela é uma curtição medonha
Por isso nos capricorniamos.
Vinícius de Moraes
8.8.11
Querido
Querido,
é muito difícil dizer isso, mas já não consigo mais suportar. Todas as vezes que tentei uma reconciliação (com quem?), os esforços que empreendi não deram frutos à altura do meu sofrer. Lamento.
Quero que saiba, desde o início, que a culpa não foi sua; talvez eu ainda insista em lembrá-lo disso no decorrer dessas linhas. O famoso clichê "não é você, sou eu" se aplica a mim, embora de outra forma.
Às vezes o dia está lindo lá fora e me entristece reconhecer que era pra eu estar feliz e não consigo. Minha carreira, minha família, meus amigos, minha casa, nós dois: tudo esteve praticamente em plena conformidade todo o tempo, porém eu não era capaz de estar satisfeita. O mundo era pesado, me apertava, meu peito já não tinha forças pra encher meus pulmões de ar e respirar era apenas um suspiro que sustentava a pouca vida que dormia no meu corpo.
Não foi sua culpa, não foi minha, não foi de ninguém. Minha apatia, minha falta de força de vontade, minha tristeza sem motivo, minha falta de gosto pela vida: nada disso é culpa de ninguém.
O que me prendia no esforço de lutar por viver era você, eram meus amigos, minha família... No entanto, você mudou e cada vez que você agia de forma diferente comigo, meu coração se encolhia mais; à medida que meus amigos se afastavam pelas circunstâncias compulsórias que a vida impõe, ele encolhia mais ainda; quando minha família despejava injustamente problemas sobre mim, ele quase desaparecia.
Você não teve culpa nisso, querido. O peso foi demais, o fardo foi demais. Eu amo você, amo as pessoas que fizeram parte da minha vida, amo cada hobby meu, mas a dor é grande demais para que eu suportasse. Não consegui.
Desculpa pela bagunça com as caixas e não se esqueça de repor os seus remédios.
Sempre vou te amar.
29.7.11
Açúcar
O doce dos mais doces me vem à boca; ela a adocica e meus lábios se curvam para cima. Ainda que me atestassem haver sonhos mais doces, estaria convicta de que não há açúcar que faça isso. São seus olhos ou seu sorriso? Nenhum dote da confeitaria me traria nada mais suave e delicioso, sutil e alucinante. Acolhida no seu abraço, quente como coberta por calda de chocolate, faço suposições e elaboro teses... Que de nada adiantem - pouco importa! -; a mim basta o mistério que todo o sonho que essa doçura me traz...
27.7.11
Pablo Neruda
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
Pablo Neruda
9.7.11
27.6.11
Nunca o saberão
Quem sou, nunca saberão.
Na minha mente, quantos sonhos ganham formas,
Na minha mente, quantos sonhos ganham formas,
Contemplam cheiros e sabores e arrepios...
Tão novos, tão únicos, tão especiais - e em vão.
Tão novos, tão únicos, tão especiais - e em vão.
Tão breve surgem, tão breve desconhecidos morrerão.
Meus olhos são calmos, mas inquietos;
Sedentos por cada experiência estrangeira
(E a eles tudo é estrangeiro que não a escuridão),
Devoram e julgam, absorvem e interpretam.
A mente reconsidera, absorta em pensamentos infinitos
E infinitamente incontroláveis.
Eles somem e morrem e quem dirá que existiram?
O atestado são outros pensamentos que quem dirá que existiram?
O que vivo, o que penso, nunca saberão.
Ainda que a alguma alma atormente a curiosidade
E ela me queira decifrar o jeito,
Deixo-lhe dizeres sinceros:
Não posso falar-lhe tudo se nem eu sei o que penso.
Entre as palavras que digo sinceramente,
Há infinitas ideias que eu silencio sinceramente.
Pensamentos complexos, devaneios,
Explosões de consciência,
E tantas outras coisas que não se moldam às formas das palavras.
Por mais que queira, por mais que se desafie,
O que penso, nunca saberá.
O que penso, nunca saberão.
O frio que me causa a fascinação pela metafísica,
Companheira solitária e inata do homem,
Companheira de meus dias solitários e melancólicos,
É nada além de fruto do que penso
E não faz parte de lugar nenhum além do meu cérebro,
E de todo cérebro humano que angustia o sentido de tudo,
Que concebe essas ideias sem motivo, sem razão
E agoniza.
Minha cabeça repousa sobre o travesseiro,
Mas a metafísica não a deixa dormir,
Angustia-a,
Devora-a,
Consome-a toda obscenamente.
E dela e de tudo o mais,
O que penso, nunca saberão.
Quando some o sentido e o existir das coisas se torna
O vão existir das coisas todas,
Os pulmões já são pequenos demais
Para o tanto de ar que lhes deveria adentrar
E respirar já não causa muito além de um suspiro pesado que expulsa o ar
Mais essa sensação cujo sentido de existir
Não faz sentido - mas angustia.
Só eu, contudo, sinto a força do peito para respirar -
Aos outros, respiro, embora nem tenham consciência de o saberem;
Aos outros, respirar, para mim, é só respirar.
O que penso e o que decorre dos meus pensamentos e do peso que dão ao ar, nunca saberão.
Que sou, se não o que penso?
Afinal, que saberão de mim se não sabem o que a todo instante penso?
Que saberão de mim se não sabem nada do que penso?
Palavras são pensadas, porcentagens pífias das ideias;
As outras se afogam umas nas outras, refugiam-se seguras no cérebro
E as palavras sopradas ao vento podem até ser lembradas,
Mas as ideias guardadas murcham e morrem e viram pó -
E dos meus pensamentos só eu saberei,
Dos meus pensamentos e das sensações minhas,
Consequência das minhas ideias,
Ideias secretas e anônimas,
Nunca saberão;
Quem sou, nunca saberão.
22.6.11
17.6.11
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15.01.1928
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15.01.1928
Nunca o saberão
Quem sou, nunca o saberão.
Na minha mente, quantos sonhos ganham formas,
Na minha mente, quantos sonhos ganham formas,
Contemplam cheiros e sabores e arrepios...
Tão novos, tão únicos, tão especiais - e em vão.
Tão novos, tão únicos, tão especiais - e em vão.
Tão breve surgem, tão breve desconhecidos morrerão.
Meus olhos são calmos, mas inquietos;
Sedentos por cada experiência estrangeira
(E a eles tudo é estrangeiro que não a escuridão),
Devoram e julgam, absorvem e interpretam.
A mente reconsidera, absorta em pensamentos infinitos
E infinitamente incontroláveis.
Eles somem e morrem e quem dirá que existiram?
O atestado são outros pensamentos que quem dirá que existiram?
O que vivo, o que penso, nunca o saberão.
Ainda que a alguma alma atormente a curiosidade
E ela me queira decifrar o jeito,
Deixo-lhe dizeres sinceros:
Não posso falar-lhe tudo se nem eu sei o que penso.
Entre as palavras que digo sinceramente,
Há infinitas ideias que eu silencio sinceramente.
Pensamentos complexos, devaneios,
Explosões de consciência,
E tantas outras coisas que não se moldam às formas das palavras.
Por mais que queira, por mais que se desafie,
O que penso, nunca saberá.
O que penso, nunca saberão.
O frio que me causa a fascinação pela metafísica,
Companheira solitária e inata do homem,
Companheira de meus dias solitários e melancólicos,
É nada além de fruto do que penso
E não faz parte de lugar nenhum além do meu cérebro,
E de todo cérebro humano que angustia o sentido de tudo,
Que concebe essas ideias sem motivo, sem razão
E agoniza.
Minha cabeça repousa sobre o travesseiro,
Mas a metafísica não a deixa dormir,
angustia-a,
devora-a,
consome-a toda obscenamente.
E dela e de tudo o mais,
O que penso, nunca saberão.
Quando some o sentido e o existir das coisas se torna
O vão existir das coisas todas,
Os pulmões já são pequenos demais
Para o tanto de ar que lhes deveria adentrar
E respirar já não causa muito além de um suspiro pesado que expulsa o ar
Mais essa sensação cujo sentido de existir
Não faz sentido - mas angustia.
Só eu, contudo, sinto a força do peito para respirar -
Aos outros, respiro, embora nem tenham consciência de o saberem;
Aos outros, respirar, para mim, é só respirar.
O que penso e o que decorre dos meus pensamentos e do peso que dão ao ar, nunca saberão.
Que sou, se não o que penso?
Afinal, que saberão de mim se não sabem o que a todo instante penso?
Que saberão de mim se não sabem nada do que penso?
Palavras são pensadas, porcentagens pífias das ideias;
As outras se afogam umas nas outras, refugiam-se seguras no cérebro
E as palavras sopradas ao vento podem até ser lembradas,
Mas as ideias guardadas murcham e morrem e viram pó -
E dos meus pensamentos só eu saberei,
Dos meus pensamentos e das sensações minhas,
Consequência das minhas ideias,
Ideias secretas e anônimas,
Nunca saberão;
Quem sou, nunca o saberão.
16.6.11
10.6.11
26.5.11
24.5.11
Um dia
Era uma vez um par de olhos.
Era uma vez um sorriso.
Um dia o par de olhos tropeçou no sorriso.
O par de olhos se debruçou no sorriso...
O par de olhos amou o sorriso.
Um dia o sorriso foi seu.
Era uma vez um outro sorriso.
Era uma vez um sorriso.
Um dia o par de olhos tropeçou no sorriso.
O par de olhos se debruçou no sorriso...
O par de olhos amou o sorriso.
Um dia o sorriso foi seu.
Era uma vez um outro sorriso.
20.5.11
Mas Eu
Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
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