Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Fernando Pessoa, 12-1911
27.2.11
20.2.11
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18.2.11
Maybe you're gonna be the one
Cubro-lhe o cabelo de nós passando os dedos distraídos por aqueles fios que escorrem... Você me abraça - e uma coberta depois de horas na chuva não me reconfortaria por um dia o que seus braços me reconfortam num milésimo de segundo: uma vida. Não me canso de você, uso todas as minhas energias para me lembrar de que quem está do meu lado, pedindo para eu ficar, é você, ninguém mais. Quero beijar seus olhos, olhá-los mais um pouco, beijá-los de novo, colocar você entre os meus braços e puxá-lo para perto de mim, contornar suas costas com uma perna, passar a mão pela sua nuca, juntar meus pés aos seus, me encantar pela sua bochecha, deslizar a mão pela sua barba, desenhar sua sobrancelha, passar as unhas num ritmo suave pelas suas costas, olhar seus olhos, ver seu sorriso pelo canto do olho, me apaixonar, beijar sua boca. Os desejos voam pela minha mente e eu me perco, não sou veloz para acompanhar esse meu coração trêmulo. Ouço sua voz, você quer me fazer cosquinha. Por que isso é tão lindo? E eu quero prendê-lo a mim, sentir sua pele fervente ao me abraçar, quero me sentir grudada a você enquanto imersa no seu abraço... Sinto seus olhos viajantes à medida que você acaricia a minha bochecha... Eis que você está ali. Meu sorriso se encantou pelo seu e dá as caras sempre que você o esboça... E você o faz surgir sorrateiro, demorando a deixar a timidez para se mostrar irremediavelmente apaixonante... E eu não resisti.
16.2.11
Referencial
A diferença é meramente referencial.
Eu, tonta feito uma criança frente ao brinquedo novo, sou carregada para perto de você por magia. Quando a nossa distância diminui à metade, quero correr com o dobro de velocidade para abraçá-lo; quando estou muito perto, a força que me leva a você é imensuravelmente poderosa... Preciso do seu abraço, quero segurar sua mão e cobrir seu rosto de beijos por minutos, horas, talvez até dias...
Ah, esse campo magnético que me direciona a você, escondido pelo meu referencial. Sendo campo, não é visível, mas o comportamento é tão recorrente, tão óbvio, tão claro, é impossível não notar sua presença! Quem não notaria a causa de uma força que segue tão fielmente as leis da natureza?
Maldito referencial, por que não consigo ver o que essa atração me causa? Malditas leis da natureza - da vida: sempre ali, mas quem conhece suas causas? Qual é a causa dessa atração fora de série que você exerce sobre mim?
(Vou confidenciá-la a você: é tudo culpa do seu sorriso)
Eu, tonta feito uma criança frente ao brinquedo novo, sou carregada para perto de você por magia. Quando a nossa distância diminui à metade, quero correr com o dobro de velocidade para abraçá-lo; quando estou muito perto, a força que me leva a você é imensuravelmente poderosa... Preciso do seu abraço, quero segurar sua mão e cobrir seu rosto de beijos por minutos, horas, talvez até dias...
Ah, esse campo magnético que me direciona a você, escondido pelo meu referencial. Sendo campo, não é visível, mas o comportamento é tão recorrente, tão óbvio, tão claro, é impossível não notar sua presença! Quem não notaria a causa de uma força que segue tão fielmente as leis da natureza?
Maldito referencial, por que não consigo ver o que essa atração me causa? Malditas leis da natureza - da vida: sempre ali, mas quem conhece suas causas? Qual é a causa dessa atração fora de série que você exerce sobre mim?
(Vou confidenciá-la a você: é tudo culpa do seu sorriso)
14.2.11
Lá do fundo...
Silenciosamente caminhava o sujeito. Pé ante pé, cercou minha casa, depois a roda em que eu estava, depois minha poltrona e eu - enfeitiçada, pobre de mim! -, eu não o vi. Eu ria a minha felicidade exultante inocentemente... Eu poderia ter dito que ela era a minha melhor amiga, era assim que eu a via.
Nunca mais confiei nela.
Ele me olhava de soslaio enquanto eu suspirava. O dia era o mais lindo, as borboletas pipocavam no ar - eu mal podia contá-las! - e eu poderia dividir minha alegria com cada um ali...
Aí ele me agarrou e não me soltou mais.
Grito por socorro, mas, lá no fundo, sei que ninguém pode me ajudar. Esse sentimento que angustia, que entristece, que carrega consigo toda a mortal desconfiança me põe numa corda bamba. Me deixa, desapontamento...
Nunca mais confiei nela.
Ele me olhava de soslaio enquanto eu suspirava. O dia era o mais lindo, as borboletas pipocavam no ar - eu mal podia contá-las! - e eu poderia dividir minha alegria com cada um ali...
Aí ele me agarrou e não me soltou mais.
Grito por socorro, mas, lá no fundo, sei que ninguém pode me ajudar. Esse sentimento que angustia, que entristece, que carrega consigo toda a mortal desconfiança me põe numa corda bamba. Me deixa, desapontamento...
Tristeza
Olho pela janela e vejo a estrela mais brilhante de todas presa no horizonte... Lembra você. O céu inteiro, as nuvens, a Lua: tudo me lembra você. Não quero olhar pro azul, tão profundo azul, e sentir tristeza. Prefiro saber que, embora você não esteja aqui, quando aquele pontinho que brilha tanto sumir e voltar amanhã à noite, você ainda poderá estar. Não gosto da ideia de você deixar de ser possível... Já fugi à utopia, não quero tê-la de volta! A Lua e as estrelas e os cometas e os astros todos devem ter se escondido por trás das nuvens quando eu fugi ao controle racional de mim. Que vergonha saber que eles estavam ali perto, mesmo que eles não me tenham visto... Não adianta me descontrolar e chorar rios se as lágrimas são minha culpa, mas também não adianta poupá-las.
Só quero sentir esse gostinho de felicidade - a mais pura que há - de tê-lo aqui comigo...
Sorte.
"A felicidade é a gota de orvalho numa pétala de flor: brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor"
Só quero sentir esse gostinho de felicidade - a mais pura que há - de tê-lo aqui comigo...
Sorte.
"A felicidade é a gota de orvalho numa pétala de flor: brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor"
8.2.11
Algodão doce
Eu caminhava alegre enquanto o sol queimava meus ombros. O céu estava limpo, as ruas estavam limpas. Não se ouvia o som das buzinas que preenchiam aquele acinzentado cenário.
Por um instante, amei aquele silêncio. Imersa num oceano de pensamentos, sentia o asfalto próximo de mim, a sustentar cada passo que eu dava, a me acolher como um pai.
Logo me cansei daquela monotonia cinza e procurei um refúgio colorido.
Andei por algumas quadras e achei uma floricultura escondida numa outra silenciosa esquina. Sorri para a vitrine e as flores me retribuíram o gesto. Comprei uma rosa amarela, mas logo decidi comprar um vaso de violetas. Queria que aquela (estúpida) felicidade fosse recordada por mais tempo do que permitia a vida de uma rosa.
Caminhei mais e as ruas ainda estavam inexplicavelmente serenas. Um homem passou com uma pasta, uma velhinha passeava com um yorkshire, uma mãe dava a mão ao filho.
A vida é tão linda que eu quis enganar-me e tentar fazê-la durar mais. Foi quando passei por uma barraquinha de algodão-doce. Há quanto tempo eu não via mais barraquinhas de algodão doce?
Dirigi-me a ela, parei ao seu lado, abri a bolsa e contei minhas moedinhas. Ergui os olhos e encontrei os seus. Sua pele morena, seus ombros largos, suas sobrancelhas arqueadas... Por quanto tempo eu devo tê-lo admirado?
Não sei se ele percebeu toda a atração que pesava no ar ao seu redor, mas me perguntou qual eu queria. Pedi o amarelo, entreguei-lhe as moedas separadas, agradeci, sorri.
Virei para o outro lado, dei alguns passos. Decidi voltar.
Entreguei a rosa pra ele, disse que era um presente de bom dia.
Nunca mais o veria - de fato, nunca mais o vi.
Amordaçada
Amordaçada,
A poesia gritava -
Reagia ferozmente à prisão
À qual fora acorrentada.
Tateava-me o corpo
Completamente cega
(Mas mais viva do que todo o universo).
Não achava escapatória:
Estava fadada a viver presa, sequestrada,
Longe da sua condição louca e livre -
Longe da sua condição de poesia.
Qualquer um se entregaria.
Não o fez a poesia.
Insistente vítima, fiel companheira,
Encheu-me a alma de ecos de angústia,
De felicidade, de paz, de medo,
Povoou-me de todas as formas possíveis.
O que era aquele fogo descontrolado
A me queimar obsceno?
Quando me dei conta,
Ela já estava respingando...
Fez-se prosa, fez-se poesia,
E quando vi, fez-se o amor...
Amor,
A poesia de ser.
7.2.11
Quero escrever
Quero escrever, mas os sentimentos ainda estão trancados dentro de mim. De vez em quando eles escoam por entre as grades e eu cuspo no ar algumas palavras sem sentido, mas não... Ainda não conheço suas formas. Espero que eles se libertem de uma vez, afinal, eles machucam e corroem meu peito indecentemente...
Saudade impotente
Esmagada dez vezes por um trator excepcionamente pesado. Vestígios de vida sob a carcaça abandonada na Carlos de Carvalho.
6.2.11
verschwinden
muito confusa e sem inspiração.. acho que vou deletar umas 3 postagens daqui pra baixo. ou não. dane-se.
5.2.11
medo
Tenho medo.
Se eu soubesse o desfecho da história, acho que teria feito tudo diferente. Entreguei-me cegamente e logo tínhamos os dedos abotoados de Machado. Confiei a você meus segredos, dediquei a você todo o meu carinho e guardei meus risos - os mais puros, os da criança que vivia a rir em mim - para você. Fui feliz.
Decepção, decepções. Previ o fim.
Aí fim.
Vazio. Quando a vida se tornou mecânica, um jogo de obrigações vitais, eu queria me entregar ao sono. Não acordar era não sentir. Só queria mergulhar num novo azul.
Sumi. Minha criança - que hoje chamo "felicidade" - desapareceu.
O azul do mar eu sabia que era estonteante - entretanto, àquela altura, era só o retrato muita água junta. Queria amá-lo.
O que tive à minha volta por aquele tempo infinito? A dor me tornou o mundo preto e branco, de vez em quando via-me numa escuridão absoluta...
Comi, bebi, dormi, andei. Respirei. Vi, não enxerguei. Esqueci que a felicidade deve ser conquistada a cada dia...
Aí lembrei. E fui feliz de novo.
Feliz, mas receosa como uma flor antes de desabrochar. Poupei-me, evitei, fugi. Quando qualquer sensação que eu suspeitasse ser amor tentava tomar espaço dentro de mim, eu a reprimia e a calava para sempre. Morreria ali esse maldito sentimento que me cegara às cores (que eu ainda via pouco vivas).
Até que chegou o ano que mudou tudo...
Mudou aos poucos, mas irreversivelmente. As sensações à flor da pele, exacerbadas e extremistas, me carregaram a realidade dos sentimentos. Não se arriscar à alegria é negar a vida... Os riscos são necessários e eu via isso (via; não arriscava). Ri, chorei, gritei de raiva, gritei minha felicidade ao mundo, guardei quietinha minhas frustrações. Os sentimentos pulsados nas minhas veias me faziam querer experimentar coisas novas e reviver o amor...
Minha vontade de viver me trouxe a um sonho, a uma reprodução aleatória de músicas, a uma confusão e, finalmente, à utopia que era você. Sabia que você me desviaria do meu caminho - literalmente ou não - e você, involuntariamente, fez de mim alguém feliz só por existir e caminhar ali perto. Você nunca me imaginaria, muito menos saberia ter-me feito nova.
Aprecio a redundância que segue ainda nesta frase: acasos deliciosamente aleatórios trouxeram você pra perto por uns momentos que despertaram minha criança adormecida (já há tempos não mais ao leito da morte). E desde sempre eu amei seu sorriso. Mais acasos e uma chuva de felicidade saltitava inquieta em mim. Sinto-a ainda ao ler seu nome...
Pena o mesmo destino que trouxe o acaso ter trazido o descaso.
O tempo quer me levar você. Minha criança não quer se calar, mas não posso me arriscar... Arrasto das profundezas da alma um explosivo "eu adoro você". Já é tarde demais para evitar... Você me desvirtuou do costume de desviar de riscos e eu me arrisquei. Um irremediavelmente eufórico sentimento me coloriu o mundo das cores mais nítidas, mais brilhantes - cores apaixonantes... E você é cheio delas. E você me aconchega num abraço e as cores são tão lindas que eu mal aguento - vermelho, verde, rosa, azul, preto...
Estou suspensa por um fio prestes a se arrebentar. Você me prendeu às nuvens... Amo a sensação de voar, mas minha consciência, com o trauma de suas experiências, me obriga a olhar pra baixo, e as cores somem e só me sobra a escuridão de novo...
Tenho tanto medo de perdê-lo, de não poder mais entregar aos seus olhos todas as minhas confissões, as minhas histórias, meus dilemas, meus segredos mais preciosos... Medo de você estar no chão rindo da minha ilusão àquela exagerada altitude, aproveitando minha profunda felicidade até enquanto durar a sua breve alegria... A distância quer me arrancar você e, embora eu não queira deixar de maneira alguma, tenho medo de ser essa a sua vontade... Temo seus sentimentos. Tenho medo de o seu sorriso não carregar a felicidade que o meu sempre carrega ao vê-lo... Medo de ser tudo unilateral, de ser tudo ilusão desses sentimentos fora de controle dentro de mim.
Sinto saudades e meu medo, carente, convida a angústia, a tristeza e a solidão para lhe fazerem companhia... Hoje me sinto plena e desesperadamente melancólica.
Mais cedo me entreguei às ondas e você pintou o mar de um azul pelo qual eu me apaixonei... E agora não era mais água aglomerada, era - quem diria - um mar, um oceano inteiro!
Mas que medo, que saudade, que tristeza, que vazio...
(Aqui dentro, minha criança ri. E eu amo o mar.)
Se eu soubesse o desfecho da história, acho que teria feito tudo diferente. Entreguei-me cegamente e logo tínhamos os dedos abotoados de Machado. Confiei a você meus segredos, dediquei a você todo o meu carinho e guardei meus risos - os mais puros, os da criança que vivia a rir em mim - para você. Fui feliz.
Decepção, decepções. Previ o fim.
Aí fim.
Vazio. Quando a vida se tornou mecânica, um jogo de obrigações vitais, eu queria me entregar ao sono. Não acordar era não sentir. Só queria mergulhar num novo azul.
Sumi. Minha criança - que hoje chamo "felicidade" - desapareceu.
O azul do mar eu sabia que era estonteante - entretanto, àquela altura, era só o retrato muita água junta. Queria amá-lo.
O que tive à minha volta por aquele tempo infinito? A dor me tornou o mundo preto e branco, de vez em quando via-me numa escuridão absoluta...
Comi, bebi, dormi, andei. Respirei. Vi, não enxerguei. Esqueci que a felicidade deve ser conquistada a cada dia...
Aí lembrei. E fui feliz de novo.
Feliz, mas receosa como uma flor antes de desabrochar. Poupei-me, evitei, fugi. Quando qualquer sensação que eu suspeitasse ser amor tentava tomar espaço dentro de mim, eu a reprimia e a calava para sempre. Morreria ali esse maldito sentimento que me cegara às cores (que eu ainda via pouco vivas).
Até que chegou o ano que mudou tudo...
Mudou aos poucos, mas irreversivelmente. As sensações à flor da pele, exacerbadas e extremistas, me carregaram a realidade dos sentimentos. Não se arriscar à alegria é negar a vida... Os riscos são necessários e eu via isso (via; não arriscava). Ri, chorei, gritei de raiva, gritei minha felicidade ao mundo, guardei quietinha minhas frustrações. Os sentimentos pulsados nas minhas veias me faziam querer experimentar coisas novas e reviver o amor...
Minha vontade de viver me trouxe a um sonho, a uma reprodução aleatória de músicas, a uma confusão e, finalmente, à utopia que era você. Sabia que você me desviaria do meu caminho - literalmente ou não - e você, involuntariamente, fez de mim alguém feliz só por existir e caminhar ali perto. Você nunca me imaginaria, muito menos saberia ter-me feito nova.
Aprecio a redundância que segue ainda nesta frase: acasos deliciosamente aleatórios trouxeram você pra perto por uns momentos que despertaram minha criança adormecida (já há tempos não mais ao leito da morte). E desde sempre eu amei seu sorriso. Mais acasos e uma chuva de felicidade saltitava inquieta em mim. Sinto-a ainda ao ler seu nome...
Pena o mesmo destino que trouxe o acaso ter trazido o descaso.
O tempo quer me levar você. Minha criança não quer se calar, mas não posso me arriscar... Arrasto das profundezas da alma um explosivo "eu adoro você". Já é tarde demais para evitar... Você me desvirtuou do costume de desviar de riscos e eu me arrisquei. Um irremediavelmente eufórico sentimento me coloriu o mundo das cores mais nítidas, mais brilhantes - cores apaixonantes... E você é cheio delas. E você me aconchega num abraço e as cores são tão lindas que eu mal aguento - vermelho, verde, rosa, azul, preto...
Estou suspensa por um fio prestes a se arrebentar. Você me prendeu às nuvens... Amo a sensação de voar, mas minha consciência, com o trauma de suas experiências, me obriga a olhar pra baixo, e as cores somem e só me sobra a escuridão de novo...
Tenho tanto medo de perdê-lo, de não poder mais entregar aos seus olhos todas as minhas confissões, as minhas histórias, meus dilemas, meus segredos mais preciosos... Medo de você estar no chão rindo da minha ilusão àquela exagerada altitude, aproveitando minha profunda felicidade até enquanto durar a sua breve alegria... A distância quer me arrancar você e, embora eu não queira deixar de maneira alguma, tenho medo de ser essa a sua vontade... Temo seus sentimentos. Tenho medo de o seu sorriso não carregar a felicidade que o meu sempre carrega ao vê-lo... Medo de ser tudo unilateral, de ser tudo ilusão desses sentimentos fora de controle dentro de mim.
Sinto saudades e meu medo, carente, convida a angústia, a tristeza e a solidão para lhe fazerem companhia... Hoje me sinto plena e desesperadamente melancólica.
Mais cedo me entreguei às ondas e você pintou o mar de um azul pelo qual eu me apaixonei... E agora não era mais água aglomerada, era - quem diria - um mar, um oceano inteiro!
Mas que medo, que saudade, que tristeza, que vazio...
(Aqui dentro, minha criança ri. E eu amo o mar.)
4.2.11
Despejando no papel
Sinto amor na ponta dos dedinhos do pé. Subindo pelas minhas pernas, ele as arrepia e me esquenta. Das minhas mãos ferventes e um pouco trêmulas aos meus ombros - que já nem sinto mais -, ele passeia risonho do meu colapso interno. Acaricia minha barriga e a confunde: ela gela por dentro e me desnorteia também. Deixa pegadas no meu colo, envolve meu pescoço ao mesmo tempo em que corre pela minha pele, varre as minhas costas num calafrio que me faz cosquinha na nuca antes de me arrancar um irresistível sorriso - e agora ele me escorre pela ponta da caneta...
Angústia
O que me consome é angústia. Ela pesa tanto na minha respiração, me belisca toda hora o peito como quem diz "estou aqui, não se esqueça de mim". Não sei por que ela se preocupa tanto... Pudera eu esquecê-la, perdê-la, abandoná-la. Hoje isso é tão impossível quanto esquecê-lo. Você não se sente mal por me deixar assim, totalmente desamparada? Não é tão difícil segurar eventuais incômodas lágrimas quando o assunto é a areia fofinha ou a tartaruga que esbarra na borda da piscina. Por que pensar em chorar? Você não deveria ter feito isso... Sinto frio na barriga com medo desse futuro tão próximo, sinto angústia por causa da minha impotência frente a ele, sinto tristeza quando cogito o pior. Quando me lembro de tudo, não poupo pleonasmos sobre o aleatório e coincidente acaso - aquela sorte linda que me trouxe você. Acaso me trouxe, descaso (do destino) me leva... Não vou abraçar você forte se não for isso o que você quiser, o que você me prometer que quer... Tenho medo de perder você sendo assim. Não sou relapsa, não sou esquecida. Só tenho medo... Que agonizante é a ideia de perder você! Machuca tanto! As bolinhas azuis que cobrem o lençol sob mim poderiam ser as mesmas que forrariam sua cama. Aí eu estaria com você ainda mais uma vez e não precisaria de tanto esforço pra inspirar quanto agora. Aliás, puxar o ar seria tão simples e delicioso se você estivesse aqui! Eu preencheria o vazio dos pulmões com o ar do seu perfume, e aí tudo estaria bem... Eu não pensaria no amanhã assustador que nos espera...
Gosto muito de você, me deixa continuar a ser um pedacinho do seu dia (e seja você a maior parte do meu).
Gosto muito de você, me deixa continuar a ser um pedacinho do seu dia (e seja você a maior parte do meu).
2.2.11
intocável...
É com enorme pesar que eu comunico o aviso que o destino me deu: vai acabar. O tempo, infalível, se ocupou de tomar o que me fazia mais feliz... Sua voz vai abaixando e eu já quase não a ouço, o barulho dos seus passos está cada vez mais distante e as luzes já não refletem mais nas lágrimas que banham sua íris... A inevitável distância é atordoante e o medo de ver você sumindo me deixa com frio na barriga. Ergo a mão e não toco em você, não alcanço mais sua mão... Época falha a nossa. Sem que eu notasse começou a me consumir uma saudade tão profunda... Sentirei tanto a sua falta!
1.2.11
Maravilhoso
Não diz nada, deixa eu dizer: você é maravilhoso. Ei, para de falar... Só escuta, vai. É que eu acho lindo o modo como você sorri. Não, seu sorriso não é um sorriso, ele conversa comigo. É verdade! E quando você se sente triste, ergue as sobrancelhas e, sem notar, se torna o que há de mais lindo no universo. Para, não ri! Você sabe que eu acho as estrelas lindas, mas eu já não ando mais vendo-as como o que há de mais bonito... O que você disse? Ah, não, eu sei que não dá pra se apaixonar por uma estrela. Quem disse que eu me apaixonei por você afinal, hein? Aliás, dá sim para se apaixonar por uma estrela... E por várias então? Eu amo várias ao mesmo tempo. As que brilham juntinhas, as que desenham constelações, as que eu não reconheço no dia seguinte. Não posso compará-lo às estrelas, meu bem. Elas brilham quietinhas, lá longe, e você as reflete aqui, do meu lado, nos seus olhos, e eu posso tê-lo, posso tocá-lo... E daí que parece boba a minha comparação? Para mim você é como uma estrela, só que aqui pertinho. O seu cabelo cai pela sua testa e eu já até me esqueço daqueles pontinhos brilhantes no céu. É maravilhoso ver você, ter você, sentir você... Não sou muito boba nada! Só estou apaixonada, minha estrelinha!
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