2011 será memorável, assim como foi 2010.
31.12.10
27.12.10
Stalker (russo: Сталкер) é um filme de 1979 do cineasta russo Andrei Tarkovsky, vencedor do prémio especial do Júri do Festival de cinema de Cannes de 1980. Foi filmado, em sua maior parte, na Estônia, então integrante da União Soviética. Stalker é um termo inglês que significa, em tradução livre, "o espreitador", "aquele que se esgueira". Tarkovsky, os três atores principais, além de outras pessoas que se envolveram na produção, morreram poucos anos depois, em razão de tumores presumivelmente originados da exposição às instalações industriais (radiotivas) da Estônia, onde várias cenas do filme foram gravadas.
Febre
Se eu nunca tivesse tido febre, diria que o corpo febril queima de cólera. Tolice... Só quem nunca teve o corpo ardendo, por fora e por dentro, acha algo assim. A raiva pode até remeter ao calor, ao fogo, e eu mentirei se disser que a raiva não é quente. Mas estar com febre é, ironicamente, um estado muito mais próximo da tristeza e da melancolia do que da cólera. Enquanto o corpo trabalha fervorosamente, sabe-se lá fazendo o que para nos salvar, quando o corpo queima demais, corre uma sensação de melancolia em cada calafrio. Não digo que isso é, hoje, o medo da morte, mas seria essa sensação um resquício do que a febre guardava nos séculos passados? E por que a solidão, a impotência...? Esses sentimentos todos remetem ao frio, ao gelo; no seu canto, a febre arde, queima, incendeia, bota fogo no corpo, esquenta cada parte. No entanto, tal qual já citei brevemente, há o calafrio. É carregado no esquisito frio febril que está um pouco dessa tristeza... Não do fim, não do medo; uma tristeza das coisas, uma tristeza que é do corpo. A máquina também sofre quando algo não lhe vai bem... Damos até espaço às suas lágrimas quando suamos e à sua melancolia nos juntamos quando se espalha um frio repentino pelos membros. Pobre do corpo, eu o condenaria a arder por cólera! É apenas medo de frustrar a nós, a nós, que somos a mente. Deixa-o arder o quanto for, pobre dele...
26.12.10
brevemente
Harry Potter e a Pedra Filosofal - J. K. Rowling
Harry Potter e a Câmara Secreta - J. K. Rowling
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling
Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling
Harry Potter e a Ordem da Fênix - J. K. Rowling
Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J. K. Rowling
Harry Potter e as Relíquias da Morte - J. K. Rowling
Crepúsculo - Stephenie Meyer
Lua Nova - Stephenie Meyer
Eclipse - Stephenie Meyer
Breaking Dawn - Stephenie Meyer
O garoto no convés - John Boyne
A Ponte para o Sempre - Richard Bach
Ilusões - Richard Bach
Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach
A Metamorfose - Franz Kafka
O Processo - Franz Kafka
Carta ao Pai - Franz Kafka
Romeu e Julieta - William Shaekspeare
Ilíada - Homero
Os Lusíadas - Camões
Odisséia - Homero
A Arte da Guerra - Sun Tzu (?)
O Príncipe - Maquiavel
Lucíola - José de Alencar
Noite na Taverna - Álvares de Azevedo
No País de Obama - Rodrigo Alvarez
Voz sem Saída - Celine Curiol
Dom Casmurro - Machado de Assis
Balzac e a Costureirinha Chinesa - (?)
A Mulher de Trinta Anos - Honoré de Balzac
Crônicas de Amor e Amizade - Clarice Lispector
Die Weiße Rose - (?)
Chinesisch für Anfänger - (?)
Die Physiker - Friedrich Dürrenmatt
Le Petit Prince - Antoine Saint-Exupéry
The Happy Prince and Other Stories - Oscar Wilde
Pride and Prejudice - Jane Austen
A Kiss Before Dying - (?)
O Juiz e seu Carrasco - Friedrich Dürrenmatt
O Médico e o Monstro - (?)
O Santo Inquérito - Dias Gomes
O Outro Gume da Faca - Fernando Sabino
Relato de um Náufrago - Gabriel Garcia Marquez
O Velho e o Mar - (?)
O Cortiço - Aluísio de Azevedo
Capitães da Areia - Jorge Amado
Relato de um Náufrago - Gabriel Garcia Marquez
A Audácia dessa Mulher - Ana Maria Machado
O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini
1984 - George Orwell
A Revolução dos Bichos - George Orwell
O Código da Vinci - Dan Brown
Anjos e Demônios - Dan Brown
O Leitor - Bernard Schlink
Eles não usam Black-Tie
24.12.10
Feliz Natal!
Muito amor, alegria e paz! Que todos tenham uma noite linda! =)
(aos que, como eu, não se importam muito com o Natal, muita comida, muitos presentes e boas companhias! hahaahahahaha.. =D)
16.12.10
inesquecíveis
Boa noite.
Que honra falar em nome desta 300, a tal gloriosa 300, a inesquecível 300. Uma honra e um também imenso desafio: muitas vezes perguntei-me como falar em nome desses nossos 83 ansiosos corações, cada um provando os mais diversos sentimentos e umas sensações que talvez sequer nome tenham... E como eu poderia escrever um discurso à altura deste grupo único que se despede hoje do Cruzeiro e, portanto, de toda uma vida? É essa a vida que explode dentro de nós hoje e é essa mesma vida que me sufoca as palavras. Pensei que fosse pecado não me sentir capaz de expressar esse choque de emoção de todos nós, formandos; para meu alívio, achei, contudo, consolo no seguinte poema de Drummond:
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Será que eu ousaria demais ao dizer que a poesia de hoje não cabe em palavras? Acredito que não. Se a poesia é a forma mais pura de expressão da alma, então, hoje tudo o que nós, formandos, temos dentro de nós não é poesia, é a poesia - a poesia da nossa vida. Nunca vivenciamos uma mudança tão drástica assim, nós que estivemos sempre em época escolar. A partir de hoje, tudo assumirá formas completamente novas. Deixamos o C com suas cinco estrelinhas pra trás para mergulharmos no desconhecido absoluto... Parece que crescemos, enfim. A nossa vida mudou como nunca até hoje e, agora, hora de selar o fim, de decretar que o tempo não mais nos permite sermos crianças, a poesia da nossa história está explodindo dentro de nós, forte como nunca experimentamos antes.
Antes de falar da nossa trajetória, não posso deixar de agradecer em nome de todos nós às nossas famílias. O maior legado que se pode deixar é a educação. Aqui estamos nós, prestes a ter o diploma em mãos, formados na escola, formados como cidadãos. O reflexo do poder da educação sempre é nítido, que dirá em alunos de um colégio ímpar como o nosso, que concilia a matéria da sala de aula com a nossa velha conhecida "formação do homem integral", associando formação intelectual, cultural e social. Temos, ainda, o incrível diferencial que é falar alemão - e, acreditem, apesar de todas as dificuldades que a gramática da língua nos impôs, es hat sich gelohnt Deutsch gelernt zu haben (valeu a pena ter estudado alemão). Fora o colégio, foram imprescindíveis durante todos esses anos o apoio, o empenho e a dedicação de vocês. Aqui se apresenta hoje a valiosíssima consequência dessa constante preocupação com a nossa educação. Obrigados por terem estado conosco sempre nos ajudando a trilhar os caminhos rumo ao nosso futuro promissor. A família é fundamental no processo de crescimento pessoal e o que vocês fizeram por nós até hoje foi primordial para que nos tornássemos o que somos hoje. Aos nossos pais, mães, tios, madrinhas, avós, que fique a certeza de que todo o esforço valeu e muito. Muito obrigados!
À coordenação e à direção, muito obrigados! Não sei como vocês aguentaram tantos surtos, desesperos, pânicos, sustos e vestibulandos malucos, indecisos, nervosos, como suportaram tantos simulados, aulas extras, horários loucos. Como será que teria sido sem o apoio de vocês? Será que teríamos conseguido? Vocês terem estado tão perto o ano todo, sempre acessíveis e dispostos a nos ajudar, foi essencial. Muito obrigados!
Obrigados a todos os funcionários - da limpeza, da cantina, do refeitório, da portaria, da enfermaria, inspetores... Manter um colégio destas proporções é um feito e tanto, acrescentando-se, ainda, o tratamento carinhoso sempre dispensado aos alunos. Admiramos demais o trabalho de vocês e agradecemos de coração pelo apoio essencial durante todos esses anos.
Aos nossos queridos mestres, nossos mais sinceros agradecimentos. Vocês são responsáveis por muitos dos nossos conhecimentos e, se temos um bom desempenho acadêmico, o mérito é tão nosso quanto de vocês. As equipes de todas as disciplinas construíram em nós, durante esses longos anos, formação sólida e olhos de ver. Hoje buscamos as soluções caminhando por nós mesmos, com o auxílio da nossa recheada bagagem que vocês nos ajudaram a formar. Mas nossa gratidão vai muito além da sala de aula. Vocês foram verdadeiros amigos para nós, às vezes até mesmo pais ou irmãos. Nunca hesitaram quanto a acolher nossos medos ou quanto a abraçar nossas angústias, fossem elas aparentemente relevantes ou não. Obrigados pelo apoio incondicional que todos vocês ofereceram, sem exceção, sem se preocupar com a hora. Significou muito cada abraço, cada bronca, cada palavra de força, cada estímulo, cada gesto de carinho. Obrigados por terem nos ajudado a crescer. Somos eternamente gratos a vocês e admiradores incondicionais. Foi uma honra ter tido aula com profissionais tão dedicados e maravilhosos, que se preocuparam tanto com nossa formação acadêmica quanto com nossos medos e aflições, que assumiram a função de professores e ainda a de grandes companheiros... Como vai ser não ver mais vocês pelas salas, pelos corredores? Este ano acabou e nós estamos de saída, mas saibam que duas coisas ficarão: a admiração e a saudade.
É, o ano acabou e o fim dói. Abandonaremos um dos alicerces sobre o qual nos apoiávamos com toda a segurança. O Cruzeiro foi a nossa segunda casa durante todo esse tempo.
Não posso contar em detalhes a história inenarrável que é a nossa; fico, portanto, com flashes do que vivemos aqui. Crescemos brincando no pátio de areia, aprendendo os amiguinhos das palavras com as Tantes, correndo nas aulas de educação física. Aprendemos a ler, a escrever, começamos a fazer contas e, já trocando a camisa vermelhinha pela cinza, começamos a estudar os animais, o corpo humano, a colonização do Brasil, a formação geológica da Terra, a escrever narrativas. Amávamos o sítio Lajedo, disputávamos as olimpíadas como se valessem nossas vidas - e não valiam? Crescemos um pouco e, estudando no prédio principal, fomos a Mury, a Tiradentes e a Paraty em anos maravilhosos, em que tudo era festa. Falando em festa, e as festas de 15 anos, quem consegue esquecê-las? Tivemos que amadurecer para enfrentar o ensino médio e grandes amigos nos deixaram. Nessa época quase todos nós fomos à Alemanha e tivemos as experiências incríveis de vivenciar país e cultura ao mesmo tempo conhecidos e inteiramente novos. Maior maturidade no segundo ano e, atreladas às responsabilidades de quase vestibulandos, muita diversão - no dia olímpico parecíamos crianças... E a 201 que se cobrisse era circo, se cercasse era hospício, a super 202, a 203 maravilha e a incógnita 204 se juntaram numa 300 memorável.
A poesia de hoje é fruto da mistura desses anos lindos com nosso ano de 300 - e hoje nós a saboreamos, nova e deliciosa.
Nossas manhãs e tardes juntos nos uniram em meio às dificuldades que o vestibular trouxe consigo. Não foi o convívio mais fácil do mundo: espumamos de raiva muitas vezes, outras de desespero, mas por que não dizer também que chegamos até a espumar de alegria? Com esse nosso intenso convívio, intensíssimo convívio, foi impossível não compartilhar angústias, medos, felicidades, nervosismo. Quando mal aguentávamos mais um tempo de aula de tão cansados, ainda faltava uma tarde inteira de aulas frenéticas; quando a exaustão tomava conta de nós, os feriados pareciam quase tão distantes quanto o fim do vestibular. Estudamos e aprendemos demais. Às vezes o cérebro parecia não comportar tanta matéria e o corpo não suportar tanto cansaço. Alívio era, por outro lado, ter sempre os amados amigos por perto - muitos eram aqueles mesmos amigos que nos acompanharam desde pequenininhos - além de ter nossos queridos professores sempre conosco. A ansiedade às vezes nos corroía e o desespero adorava acompanhá-la - nunca faltou, entretanto, um ombro amigo sequer entre nós. Não faltou, também, diversão: tivemos churrascos (e que churrascos), a Festa Junina, as férias, a viagem para Angra, mil momentos de descontração nas aulas (afinal, é impossível ficar concentrado em todas as aulas das sete da manha às cinco da tarde), as sextas-feiras temáticas, a festa de formatura... Mas tivemos simulado atrás de simulado, contabilizamos 885 bolinhas nos cartões-resposta. E não bastassem nossos testes na escola, o vestibular brincava de mudar as regras toda hora e as provas pareciam se multiplicar: 1º e 2º exames de qualificação da UERJ, PUC, FGV, Ibmec, ESPM, ENEM, 1ª fase da UFF, UFRJ, 2ª fase da UERJ, segunda fase da UFF... Aos poucos os apavorados viravam aprovados e, já prestes a dizer adeus, vamos escrevendo sozinhos as páginas que preenchem a história de cada um de nós. Em alguns anos teremos, entre estes formandos, médicos, uma geóloga, bacharéis em educação física, uma cineasta, arquitetas, publicitários, jornalistas, juízes, advogados, promotores, engenheiros de produção, engenheiros civis, químicos, eletrônicos, de computação, de bioprocessos, engenheiras navais, uma cientista política, economistas, designers, bacharéis em relações internacionais, administradores, uma estilista e uma psicóloga. Depois de um ano tão excepcional, em que não faltou alegria, pânico e nostalgia, aqui estamos, prestes a dar os primeiros passos rumo a esse futuro. Então, com nossas escolhas diferentes, nós, antes obrigatoriamente juntos, estaremos agora inevitavelmente separados... E, ecoando nossos últimos gritos “trezentos”, logo o tempo se encarregará de tornar toda nossa vida no Cruzeiro passado e, impiedoso, colocará moldura na nossa história, que penderá na parede da escola, um passado tão próximo em tempo e tão distante em acesso, um fim que nos enche de um vazio... Parodiando Drummond, quando fala de sua cidade natal, Itabira: O Cruzeiro é apenas um retrato na parede, mas como dói...
Quando o fim chega, é impossível sair ileso dessa tal saudade. No recreio da nossa última sexta-feira juntos, nossos abraços foram os mais sinceros, nossos braços não queriam nos deixar ir embora, como se segurar uns aos outros o mais possível fosse suficiente para não nos deixarmos ir, para segurar o tempo, para pará-lo... Não foi suficiente. Mas como esse tempo valeu a pena! Doses de amizade, de companheirismo, de realização e de amor nos embriagaram da mais profunda felicidade, uma felicidade que extrapola os limites de compreensão da razão. Ainda ao lado de Drummond: "Se procurar bem você acaba encontrando/Não a explicação (duvidosa) da vida/Mas a poesia (inexplicável) da vida". Esta noite podemos ter a certeza de que a encontramos. Não houve esforço perdido, nenhuma tarefa foi em vão. Estaremos sempre como sempre estivemos: firmados na pátria do Cruzeiro.
Que honra falar em nome desta 300, a tal gloriosa 300, a inesquecível 300. Uma honra e um também imenso desafio: muitas vezes perguntei-me como falar em nome desses nossos 83 ansiosos corações, cada um provando os mais diversos sentimentos e umas sensações que talvez sequer nome tenham... E como eu poderia escrever um discurso à altura deste grupo único que se despede hoje do Cruzeiro e, portanto, de toda uma vida? É essa a vida que explode dentro de nós hoje e é essa mesma vida que me sufoca as palavras. Pensei que fosse pecado não me sentir capaz de expressar esse choque de emoção de todos nós, formandos; para meu alívio, achei, contudo, consolo no seguinte poema de Drummond:
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Será que eu ousaria demais ao dizer que a poesia de hoje não cabe em palavras? Acredito que não. Se a poesia é a forma mais pura de expressão da alma, então, hoje tudo o que nós, formandos, temos dentro de nós não é poesia, é a poesia - a poesia da nossa vida. Nunca vivenciamos uma mudança tão drástica assim, nós que estivemos sempre em época escolar. A partir de hoje, tudo assumirá formas completamente novas. Deixamos o C com suas cinco estrelinhas pra trás para mergulharmos no desconhecido absoluto... Parece que crescemos, enfim. A nossa vida mudou como nunca até hoje e, agora, hora de selar o fim, de decretar que o tempo não mais nos permite sermos crianças, a poesia da nossa história está explodindo dentro de nós, forte como nunca experimentamos antes.
Antes de falar da nossa trajetória, não posso deixar de agradecer em nome de todos nós às nossas famílias. O maior legado que se pode deixar é a educação. Aqui estamos nós, prestes a ter o diploma em mãos, formados na escola, formados como cidadãos. O reflexo do poder da educação sempre é nítido, que dirá em alunos de um colégio ímpar como o nosso, que concilia a matéria da sala de aula com a nossa velha conhecida "formação do homem integral", associando formação intelectual, cultural e social. Temos, ainda, o incrível diferencial que é falar alemão - e, acreditem, apesar de todas as dificuldades que a gramática da língua nos impôs, es hat sich gelohnt Deutsch gelernt zu haben (valeu a pena ter estudado alemão). Fora o colégio, foram imprescindíveis durante todos esses anos o apoio, o empenho e a dedicação de vocês. Aqui se apresenta hoje a valiosíssima consequência dessa constante preocupação com a nossa educação. Obrigados por terem estado conosco sempre nos ajudando a trilhar os caminhos rumo ao nosso futuro promissor. A família é fundamental no processo de crescimento pessoal e o que vocês fizeram por nós até hoje foi primordial para que nos tornássemos o que somos hoje. Aos nossos pais, mães, tios, madrinhas, avós, que fique a certeza de que todo o esforço valeu e muito. Muito obrigados!
À coordenação e à direção, muito obrigados! Não sei como vocês aguentaram tantos surtos, desesperos, pânicos, sustos e vestibulandos malucos, indecisos, nervosos, como suportaram tantos simulados, aulas extras, horários loucos. Como será que teria sido sem o apoio de vocês? Será que teríamos conseguido? Vocês terem estado tão perto o ano todo, sempre acessíveis e dispostos a nos ajudar, foi essencial. Muito obrigados!
Obrigados a todos os funcionários - da limpeza, da cantina, do refeitório, da portaria, da enfermaria, inspetores... Manter um colégio destas proporções é um feito e tanto, acrescentando-se, ainda, o tratamento carinhoso sempre dispensado aos alunos. Admiramos demais o trabalho de vocês e agradecemos de coração pelo apoio essencial durante todos esses anos.
Aos nossos queridos mestres, nossos mais sinceros agradecimentos. Vocês são responsáveis por muitos dos nossos conhecimentos e, se temos um bom desempenho acadêmico, o mérito é tão nosso quanto de vocês. As equipes de todas as disciplinas construíram em nós, durante esses longos anos, formação sólida e olhos de ver. Hoje buscamos as soluções caminhando por nós mesmos, com o auxílio da nossa recheada bagagem que vocês nos ajudaram a formar. Mas nossa gratidão vai muito além da sala de aula. Vocês foram verdadeiros amigos para nós, às vezes até mesmo pais ou irmãos. Nunca hesitaram quanto a acolher nossos medos ou quanto a abraçar nossas angústias, fossem elas aparentemente relevantes ou não. Obrigados pelo apoio incondicional que todos vocês ofereceram, sem exceção, sem se preocupar com a hora. Significou muito cada abraço, cada bronca, cada palavra de força, cada estímulo, cada gesto de carinho. Obrigados por terem nos ajudado a crescer. Somos eternamente gratos a vocês e admiradores incondicionais. Foi uma honra ter tido aula com profissionais tão dedicados e maravilhosos, que se preocuparam tanto com nossa formação acadêmica quanto com nossos medos e aflições, que assumiram a função de professores e ainda a de grandes companheiros... Como vai ser não ver mais vocês pelas salas, pelos corredores? Este ano acabou e nós estamos de saída, mas saibam que duas coisas ficarão: a admiração e a saudade.
É, o ano acabou e o fim dói. Abandonaremos um dos alicerces sobre o qual nos apoiávamos com toda a segurança. O Cruzeiro foi a nossa segunda casa durante todo esse tempo.
Não posso contar em detalhes a história inenarrável que é a nossa; fico, portanto, com flashes do que vivemos aqui. Crescemos brincando no pátio de areia, aprendendo os amiguinhos das palavras com as Tantes, correndo nas aulas de educação física. Aprendemos a ler, a escrever, começamos a fazer contas e, já trocando a camisa vermelhinha pela cinza, começamos a estudar os animais, o corpo humano, a colonização do Brasil, a formação geológica da Terra, a escrever narrativas. Amávamos o sítio Lajedo, disputávamos as olimpíadas como se valessem nossas vidas - e não valiam? Crescemos um pouco e, estudando no prédio principal, fomos a Mury, a Tiradentes e a Paraty em anos maravilhosos, em que tudo era festa. Falando em festa, e as festas de 15 anos, quem consegue esquecê-las? Tivemos que amadurecer para enfrentar o ensino médio e grandes amigos nos deixaram. Nessa época quase todos nós fomos à Alemanha e tivemos as experiências incríveis de vivenciar país e cultura ao mesmo tempo conhecidos e inteiramente novos. Maior maturidade no segundo ano e, atreladas às responsabilidades de quase vestibulandos, muita diversão - no dia olímpico parecíamos crianças... E a 201 que se cobrisse era circo, se cercasse era hospício, a super 202, a 203 maravilha e a incógnita 204 se juntaram numa 300 memorável.
A poesia de hoje é fruto da mistura desses anos lindos com nosso ano de 300 - e hoje nós a saboreamos, nova e deliciosa.
Nossas manhãs e tardes juntos nos uniram em meio às dificuldades que o vestibular trouxe consigo. Não foi o convívio mais fácil do mundo: espumamos de raiva muitas vezes, outras de desespero, mas por que não dizer também que chegamos até a espumar de alegria? Com esse nosso intenso convívio, intensíssimo convívio, foi impossível não compartilhar angústias, medos, felicidades, nervosismo. Quando mal aguentávamos mais um tempo de aula de tão cansados, ainda faltava uma tarde inteira de aulas frenéticas; quando a exaustão tomava conta de nós, os feriados pareciam quase tão distantes quanto o fim do vestibular. Estudamos e aprendemos demais. Às vezes o cérebro parecia não comportar tanta matéria e o corpo não suportar tanto cansaço. Alívio era, por outro lado, ter sempre os amados amigos por perto - muitos eram aqueles mesmos amigos que nos acompanharam desde pequenininhos - além de ter nossos queridos professores sempre conosco. A ansiedade às vezes nos corroía e o desespero adorava acompanhá-la - nunca faltou, entretanto, um ombro amigo sequer entre nós. Não faltou, também, diversão: tivemos churrascos (e que churrascos), a Festa Junina, as férias, a viagem para Angra, mil momentos de descontração nas aulas (afinal, é impossível ficar concentrado em todas as aulas das sete da manha às cinco da tarde), as sextas-feiras temáticas, a festa de formatura... Mas tivemos simulado atrás de simulado, contabilizamos 885 bolinhas nos cartões-resposta. E não bastassem nossos testes na escola, o vestibular brincava de mudar as regras toda hora e as provas pareciam se multiplicar: 1º e 2º exames de qualificação da UERJ, PUC, FGV, Ibmec, ESPM, ENEM, 1ª fase da UFF, UFRJ, 2ª fase da UERJ, segunda fase da UFF... Aos poucos os apavorados viravam aprovados e, já prestes a dizer adeus, vamos escrevendo sozinhos as páginas que preenchem a história de cada um de nós. Em alguns anos teremos, entre estes formandos, médicos, uma geóloga, bacharéis em educação física, uma cineasta, arquitetas, publicitários, jornalistas, juízes, advogados, promotores, engenheiros de produção, engenheiros civis, químicos, eletrônicos, de computação, de bioprocessos, engenheiras navais, uma cientista política, economistas, designers, bacharéis em relações internacionais, administradores, uma estilista e uma psicóloga. Depois de um ano tão excepcional, em que não faltou alegria, pânico e nostalgia, aqui estamos, prestes a dar os primeiros passos rumo a esse futuro. Então, com nossas escolhas diferentes, nós, antes obrigatoriamente juntos, estaremos agora inevitavelmente separados... E, ecoando nossos últimos gritos “trezentos”, logo o tempo se encarregará de tornar toda nossa vida no Cruzeiro passado e, impiedoso, colocará moldura na nossa história, que penderá na parede da escola, um passado tão próximo em tempo e tão distante em acesso, um fim que nos enche de um vazio... Parodiando Drummond, quando fala de sua cidade natal, Itabira: O Cruzeiro é apenas um retrato na parede, mas como dói...
Quando o fim chega, é impossível sair ileso dessa tal saudade. No recreio da nossa última sexta-feira juntos, nossos abraços foram os mais sinceros, nossos braços não queriam nos deixar ir embora, como se segurar uns aos outros o mais possível fosse suficiente para não nos deixarmos ir, para segurar o tempo, para pará-lo... Não foi suficiente. Mas como esse tempo valeu a pena! Doses de amizade, de companheirismo, de realização e de amor nos embriagaram da mais profunda felicidade, uma felicidade que extrapola os limites de compreensão da razão. Ainda ao lado de Drummond: "Se procurar bem você acaba encontrando/Não a explicação (duvidosa) da vida/Mas a poesia (inexplicável) da vida". Esta noite podemos ter a certeza de que a encontramos. Não houve esforço perdido, nenhuma tarefa foi em vão. Estaremos sempre como sempre estivemos: firmados na pátria do Cruzeiro.
14.12.10
Anick
"Vou me arrumar para a festa de formatura da 300... aquela que um dia foi minha, lá na antiga sétima série... Tenho tantas lembranças... Havia a creche, havia a "cabrito" (que odiaaava esse apelido), havia o Gustavo Taxa, o Paulo (dupla irritantemente inseperável), havia as respostas enormes da Pina (sempre achando que podia explicar mais um pouquinho)... Havia a Maria brigando com os meninos, havia a Roberta e Juliana (sempre inseperáveis), havia a Fernanda Guedes com suas perguntas f... de Português... Havia o Bernardo já se achando galã, os Pedros (ai os Pedros da 71!), a Gabi sempre chorando nervosa com alguma prova, a Alice falando sem parar... Isabela Jaloto e sua mãe maravilhosa...O Pedro, O Marco, o Daniel (gente boa esse pessoal da 74!)... O Fábiooooooooooooooooooooooo (Meu Deus, O Fábio!)... Ai, é tanta gente que fica na memória... A minha bailarina amada que faz aniversário com a minha filha... A turma da Anita, Ninja, Teresa, Yasmin, Rafa, Pedro, Beth (grupo enorme e unido esse...)... Não sei nem se tds andam juntos hj em dia... Sei de mts que saíram... Mas hj a festa a que eu vou não é a festa da 300 especificamente, mas sim a festa da 71, da 72, da 73, da 74 e da 75... Dessas turmas maravilhosas que compravam td qto é ideia, que estudavam à vera e manifestavam de verdade o carinho pelos professores..."
11.12.10
involuntário
Sensações: ninguém escolhe tê-las. Não é necessário se deixar possuir para que elas se espalhem pelo corpo.
Não sei quais são as minhas hoje. Juro.
Minha mente vaga e, tomando certas direções, o que se espalha em mim não é um vazio, mas uma ausência de sensação.
Quero ser irredutível.
Não é porque meus olhos enxergam que eu necessariamente vejo, mas eu vi, sim. "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara". Eu reparei. Demais, até.
É reparando, não catando besteiras, mas sendo por elas encontrada, que me pergunto: até onde?
Até onde o quê? Até onde você vai, até onde suporta, até onde pode chegar, até onde você...?
Não, não. Até onde vai a sensação!
Fico surpresa. De vez em quando ela é discreta, serena, mas essa aí foi avassaladora, não escondeu sua fúria comparável à de um furacão, à de um terremoto que sacode inconsequentemente a terra...
Fico surpresa. De vez em quando ela é discreta, serena, mas essa aí foi avassaladora, não escondeu sua fúria comparável à de um furacão, à de um terremoto que sacode inconsequentemente a terra...
Mas não é uma sensação tão ruim assim. Aliás, quem sabe ela nem ruim é? É que ela não é uma sensação triste ou alegre, tampouco indiferente - ela é de alerta. Uma sirene toca pedindo para eu correr agora, antes que o fogo me lamba a casa inteira junto à minha pele.
Não preciso me desesperar numa fuga repentina demais. Dessa vida não só eu fugi, como você também... Realidades paralelas, comodidade, umas conversas. E só.
Devo ser, enfim, irredutível.
Contudo, que não nos tratemos com a indiferença com que nos tratam as sensações; sejamos menos levianos, mais compreensivos. Não entregue nada, jamais (perigosa palavra?) lhe pedirei qualquer pouca coisa. Só peço a intocável lealdade e, mais ainda, uma irretocável consideração.
Seremos, assim, um mundo de sensações compreensíveis de novo e, quem sabe, não me suma essa literal impotência... Talvez não entre nós, mas ao menos entre mim e o universo...
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