26.5.11
24.5.11
Um dia
Era uma vez um par de olhos.
Era uma vez um sorriso.
Um dia o par de olhos tropeçou no sorriso.
O par de olhos se debruçou no sorriso...
O par de olhos amou o sorriso.
Um dia o sorriso foi seu.
Era uma vez um outro sorriso.
Era uma vez um sorriso.
Um dia o par de olhos tropeçou no sorriso.
O par de olhos se debruçou no sorriso...
O par de olhos amou o sorriso.
Um dia o sorriso foi seu.
Era uma vez um outro sorriso.
20.5.11
Mas Eu
Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
17.5.11
Relacionamento
Arnaldo Jabor
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: "- Ah, terminei o namoro... - Nossa, estavam juntos há tanto tempo... - Cinco anos... Que pena... Acabou... - É... Não deu certo". Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto, não vamos encontrar. Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... Se não bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... Ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo. E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar... Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: "- Ah, terminei o namoro... - Nossa, estavam juntos há tanto tempo... - Cinco anos... Que pena... Acabou... - É... Não deu certo". Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto, não vamos encontrar. Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... Se não bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... Ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo. E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar... Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
16.5.11
15.5.11
O nada
A expectativa sobre o que não foi -
E que nunca mais vai ser,
Não nesta hora, não neste tempo
(E quem garante que jamais será?).
É o cheiro,
é o beijo,
o abraço,
o sorriso,
a voz,
mais nada.
Só isso,
E isso já é nada.
121
A indiferença ao saber;
Mas a dor de te saber ali,
Do outro lado,
Ofegante, descrente,
Com medo.
Ah, o medo...
Não posso mudá-lo
Se tem razão.
11.5.11
unvorstellbare Gefühle
Das Problem ist, dass ich dich ganz doll lieb habe. Eigentlich ist das nur ein Teil des Problemes - ein anderer Teil ist diese besorgniserregende Unsicherheit. Ich könnte dich mit Zärtlichkeit überraschen, aber das Risiko schreit nach mir. Vielleicht wäre es besser achtunglos zu handeln, obwohl mein Gehirn nicht an das Thema ,,Vorsicht'' zu arbeiten aufhalt. Meine schöne Wörter über Liebe wollen aber auch nicht auf mein Mund kommen - sie erzählen mir manchmal, dass sie selbst Angst haben. Wieso könnte ich gegen sie was machen? Plötzlich denke ich daran, gegen sie zu kriegen und sie aussprechen aber während ich nach Kräfte suche, entmutigt mich die Unsicherheit, deshalb laufen die Ideen weg. Warum sollte ich die Realität befürchtigen? Ist meine Realität nur eine Fantasie meiner Vorstellung? Es ist zu dunkel wenn ich barfuß wandere, die Lichte sind mir zu schwach um das Boden sehen zu können. ,,Vorsicht, dass kann Verletztungen verursachen''... Egal ob es mir gefällt, ob es weh tut: der Punkt ist, dass ich jetzt viel Zeit bräuchte, ihn auf mein Herz aufzunehmen. Seit ich angefangen habe, diesen Text zu schreiben, hört mein Gewissen nicht mir an den Ohren zu wispern: ,,gib auf, es ist schon unmöglich zurück zu gehen''. (Als ob ich ihn verlaßen wollte!) Es müsste nicht Energie ausgegeben haben: das weiß ich schon lange her und die Idee, dass ich nicht gegen diese Liebe machen kann ist genau so angenehmend wie an seinen Armen zu sein...
8.5.11
É pesado
É pesado demais. O sofrimento se impõe inabalável e me prostro diante da sua presença tão imponente. Toda a realidade com que sonho se mistura à realidade ao meu redor formando a realidade em que vivo e, ainda que me perca feliz no meu abrigo falacioso de palha, preocupo-me. Lá me fiz feliz. Fiz-me feliz, mas receosa - receosa do vento mais sereno fazer toda a palha vir ao chão. Com você ali, eu cabia feliz e segura ora entre meus braços, ora entre seus braços, ora entre nossos braços (esses últimos os melhores). Hoje, enquanto a água me escorre os cabelos, que caem e deslizam pelos meus ombros, tento me conformar que, se os pilares do meu refúgio não são seguros, é hora de procurar um novo abrigo. Não importa o quanto de água tenha percorrido minha pele, não estarei satisfeita com a realidade. Quando mergulho nos seus olhos e estou empanturrada de alegria, tão doce, tão pura, preciso de você e da realidade em que nos inventei. Deixar seus olhos não é uma hipótese para mim, este ser confuso que já mal sabe o que escreve. Intrigo-me com essa ideia: tê-lo, portanto, é uma certeza? Longe disso. Uns diriam que aí está a magia: na incerteza. Para mim, não. Aí está a dor irreparável, a de saber que o que poderia ter sido transformaria por completo a história (fosse isso a continuação do presente, fosse isso um outro rumo). O medo é, ironicamente, um sentimento corajoso. Ousa se revelar nas horas mais impróprias, em que estou hipnotizada por um presente tão delicioso. Ele destrói tudo. Quer me convencer de que é arriscado deixar os capítulos seguirem, de que cada linha a mais é um risco maior. Acendem na minha mente palavras como "dor" e "sofrimento" e o clique da lâmpada quer me fazer enxergar que estar feliz no escuro é aceitar estar cega. Não estou. Sei bem do que se trata: estou apaixonada por essa magia. Encho meu texto de dois pontos e travessões porque ele não é nada além de descrições da razão e devaneios dos sentimentos. Sei bem do que se trata tudo... É medo de que ser feliz hoje me torne infeliz mais tarde. Melhor não sentir do que angustiar uma dor, do que nutrir um sofrimento doentio; não quero deixar minha alma adoecer. Sei, racionalmente, que seus olhos são só mais um par de olhos e quero me deixar convencer de que isso é verdade, mas minha respiração suave reflete um interior feliz ao sentir seus cílios na minha bochecha e já estou certa de que seus olhos são o que já houve de mais encantador no mundo. As luzes se apagam, a casa é tão segura, seu sorriso reúne toda a felicidade que eu posso viver e eu a entorno na minha boca depois de beijá-lo até não conseguir mais. Completo encanto. Posso dar voz à consciência - olhe o quão arriscado isso é! - e então tatear as paredes, acender a luz - clic - e buscar o chão ao meu redor, ver a fragilidade das paredes de palha, procurar segurança (quem sabe não me arriscar mais aos seus beijos...); contudo já não sei se é o que eu quero... Amarei nosso abrigo até a tempestade; e, ainda, quem escreveria as linhas se seguiriam à magia que me sopra o ar que respiro quando estou com você, as linhas que me apaixonariam, se eu desistisse desse ar, se eu desistisse delas? Devo desistir, mas não posso, não consigo... Sensações, inseguranças, ideias, hipóteses, sentimentos, temores pesam dentro de mim. É pesado demais.
Todas essas linhas talvez não façam o menor sentido: o fato é que dói.
Todas essas linhas talvez não façam o menor sentido: o fato é que dói.
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