Os tons que me preenchem a vida não são os que eu quero...
O trabalho de montar o quarto...
De enchê-lo de quadros... De recriar as janelas...
De colocar na casa um telhado novo...
As reticências me levam numa correnteza...
Onda forte...
Difícil fugir.
Difícil mesmo é enxergar o principal trabalho:
O trabalho de desmontar o quarto...
De arrancar os quadros... De consertar as janelas...
De destelhar a casa - de telhas tão fracas! - para, enfim, colocar um telhado novo...
As reticências me levam numa correnteza...
Onda forte...
Mais forte ainda é a sede voraz por viver,
Por fazer,
Por crescer,
Por me preencher,
Por ser.
Recrio e invento cores,
Pinto as paredes do meu quarto,
Arranco quadros e desvio dos pregos espalhados pelo chão,
Colo pelos cantos recordações e saudades,
Enxergo as cores que eu quero que preencham a minha vida.
A vida sempre pode recomeçar;
E, ao me dar conta das sutilezas dos tons que me encantam,
Começo a recolorir e recriar a vida.
Faço-me, enfim, nova.
Farei-me, enfim, feliz.