31.3.11

A vida não nos deixa passar impunes e vai nos carregando enquanto dormirmos distraídos sem ver a irreversibilidade da linha de sentido único que tudo destrói - o tempo.

28.3.11

C'est mort

Ah, Gabriela, tão doces sonhos! Doces como a menina que passeava pelas ruas com sua saia leve, suave com seu andar de quem toca o chão com a ponta dos pés... Tão doce! Gabriela trazia tanta paz com o cheiro de incenso que às vezes ficava pregado às suas roupas e nos olhos caídos que lhe traçavam sua fisionomia serena... "Talvez ela seja feliz", pensou consigo o homem de terno do outro lado da rua. Nossa imaginação adora se apropriar dos cenários e das personagens sobre quem pouco sabemos e a quem adoramos atribuir fantasias... Ah, o homem não saberia que aquela era a aparência constante de Gabriela, que pouco mudava, fossem quais fossem os ares. A tarde cedeu lugar à noite, os postes se acenderam, as luzes meio amareladas começaram a iluminar as ruas. Ela ainda caminhava - ah, tão doce! Não era só o homem de terno, Hugo também achava isso, por isso batia incessantemente a colherzinha na xícara de café - que já era sua segunda naquele fim de tarde. Como odiava usar sapatos, como camisas sociais o incomodavam! O clima do pub era quente e agradável, um jazz tocava ao fundo fugido do saxofone do músico lá do fundo. Para ele, a noite pediria brownies, talvez muffins ou sorvetes, quem sabe muffins e sorvetes juntos. Pediria; não pedia. O clima era agradável para todos os casais e grupos de amigos que se acomodavam por aqueles sofás, circulados por um calor aconchegante, contraste perfeito ao vento congelante por trás das janelas que davam para rua. Hugo sentia calor demais, suava um pouco, já tinha tirado o paletó quando pediu uma dose de uísque. Mal olhou para o garçom, virou a dose garganta abaixo, os olhos se encheram d'água, ele respirou fundo, se afundou no sofá. Era um homem muito lindo, não nos poupemos dos detalhes: cabelos pretos espetados, barba rala, olhar desconfiado, sedutor - para algumas a roupa social pode até contar como mais um atrativo para ele. Não era nada daquilo o que a moça da saia florida procurava nele hoje, conhecia bem aquela beleza toda e, embora a admirasse, buscava muito mais. Um sininho fez barulho, Hugo correu os olhos nervosos para a porta e lá estava ela. Por que tão tranquila? Será que ela também não sentia o ar desesperadamente pesado sobre si? Ela olhou para os lados enquanto desfazia distraída sua trança, procurando Hugo ao soltar seu fios cor de ouro. Os olhos de paz encontraram os de angústia; ela sorriu; ele forçou um sorriso; ela caminhou em sua direção. "Pronto, vamos fingir que está tudo bem de novo, que não falta nada quando estamos juntos conversando, nos beijando ou de mãos dadas" - ele teve um sobressalto. Ela se deixou afundar no sofá ao seu lado, pegou sua mão e a beijou. Ele virou o rosto, deu-lhe um beijinho. Conversaram - ele contou do dia tenso, narrou minuciosamente suas dezenas de afazeres, reclamou da secretária enrolada que trazia mais problemas do que soluções; ela contou das plantas que ficaram com as folhas secas porque ela se esqueceu de regá-las e falou da sapatilha roxa linda que comprou numa loja ali perto. Ela pediu um muffin e um sorvete, ele pediu um café. A conversa fluía. A chuva, o cachorro que arranhou o sofá - mas tudo bem, ela já queria estofá-lo -, o cafezinho gostoso, a camisa amarrotada. Gabriela sentia a irreversibilidade da situação: os toques não eram mais arrepiantes, os sussuros já não eram mais tão sedutores e, ela sabia tão bem quanto ele, seus olhos negros clamavam por socorro. Faltava a calmaria do amor, a chama que não incendeia florestas, mas que arde quieta e controlada nas lareiras tão acolhedoras. As mãos que se acariciavam eram frias num ambiente inóspito para corações tão gélidos. Ele sentia bem o peso de sustentar aquilo, no entanto não compreendia o que havia de errado naqueles olhos caramelos ou naquela voz ou nas palavras que ela carregava... Ele decidiu fumar um cigarro, procurou seu isqueiro, catou por entre os bolsos, pela pasta. Ela meteu a mão na bolsa, tateou besteiras quaisquer e tirou seu isqueiro. Inclinou-se para acender o cigarro de Hugo; não ligava. Tic, tic, tic, tic, tic e o isqueiro não se acendia. Ali foi selado o fim; ainda saíram juntos, ele foi para a casa dela, fizeram amor, se despediram - e os olhos caídos de Gabriela, diria o homem de terno do outro lado daquela rua, por um segundo pareceram desabados -, mas o isqueiro não pôde trazer nenhum vestígio de chama, nenhuma faísca sequer daquele amor, daquelas cinzas que jazeriam tranquilas cheirando a incenso e a café.

A impotência (e uma pitada de egoísmo)

1/7.000.000.000: esse número sou eu, esse número é você. E eu me pergunto: o que nós somos? Nada, insignificantemente nada, só mais um ou outro dos bilhões de seres humanos que vagam pela Terra. As guerras eclodem e cessam, os cientistas escrevem incansáveis artigos, os campeonatos de futebol começam e acabam num ciclo infinito e nós somos nada. Eu, escrevendo meu texto, você, do outro lado, lendo, e ainda sim somos nada. Não é por poder enxergar ou tocar ou rir ou sentir que somos algo - somos nada. Júpiter é dezenas de vezes maior do que a Terra e nós somos milhões de vezes menores do que a Terra e me envergonha essa nossa insignificância. Morreu um casal num acidente de carro e não são Carlos ou Luisa, mas sim homem de 35 anos embriagado e esposa grávida. Morreram 2, morreu o número dois. Afinal de contas, existir não necessariamente significa ser, muito menos ser algo. Por isso vivemos o microcosmo - então somos algo. As famílias choram a doença dos avós e amargam a rebeldia dos filhos - então avós e netos deixam de ser nada e são algo. Mas até onde? Até onde um problema vai me importar de verdade ou até onde as minhas angústias - estúpidas angústias de uma em sete bilhões de pessoas - vão interessar a você ou ousar tomar sua atenção? Até onde eu importarei para você, aliás, quando importarei para o mundo? Até onde deixarei você importar para mim, você, mais um entre sete bilhões! Até onde aceitarei o mundo ignorar a você, ignorar a mim, ignorar nossas conversas, nossas brigas, nossos beijos, o que acontece entre nós? Como aguentar ver o mundo ignorar o que acontece comigo e com você, que vivemos nesse mesmo mundo? Ignorando as manchetes de jornal, posso ouvir a discussão à mesa de jantar e perceber que, voltando a esse microcosmo, nesse meu mundo que duas dúzias de parede demarcam, posso ser algo também, como será Luisa no seu velório às duas da tarde (já esquecida décadas depois devorada por fungos). Ponho-me a escrever, a cantar, a sacudir as cordas do violão buscando alguma melodia, a pensar, a tentar criar, inovar, inventar, nascer, crescer, viver, rir, descobrir, permitir - a tentar ser algo. Mas está muito quente e abro a janela, abro a janela e vejo centenas de luzes nos prédios e nos carros e no Corcovado e me dou conta: sou nada, você é nada e temos de nos conformar com essa insignificância compulsória e onipresente da vida. (Por acidente digitei "inconformar", mas tive de me corrigir; se inconformar com fatos em relação aos quais somos impotentes é mais do que perda de tempo, é romantismo insensato de um poeta mais do que insensato, burro).

A impotência de viver

Desço a passarela normalmente apressada - horários não são o meu forte. Talvez eu não corresse por querer chegar na hora, mas para tentar fugir daquela realidade. O ônibus já ia saindo, fiz sinal - motorista, motorista, para, por favor... Ele parou, obrigada, bom dia, passei pela trocadora sorridente e me sentei querendo arrancar aquele sorriso do rosto dela. Ela ficaria ali, pendurada naquela maldita cadeira horas e horas daquele dia, pegaria o ônibus lotado, enfrentaria a exaustão para ganhar um salário mínimo, dois, talvez. Isso não pode ser normal. Larguei minha mochila do meu lado e pus os olhos na janela. Não queria voltar e passar pela entrada do metrô de novo, sentir a maior impotência possível. O menino encostado à parede, sentado, largado, com os olhos entreabertos e a mão esticada, os dedos tão finos e fracos se forçando a ficar abertos contando com a mão se enchendo moedas. Eu abro a carteira e notas podem encher as minhas (robustas) mãos. Ainda que eu pudesse tirá-lo dali e mudar sua vida, através daquela janela eu via multiplicada aquela realidade, talvez não nas mesmas condições, mas ainda em situações desumanas. Os barracos se aglomeram e preenchem todo o espaço da visão que não é ocupado pelo céu, e o dia ensolarado seria o mesmo que um dia de tempestade. As tristezas da vida são tantas que a alma pode ser algo um tanto quanto melancólico. Não consegui ser feliz naquele dia, nada no meu mundo - nesse mundo minúsculo em que eu vivo - poderia mudar o âmago amargo do meu ser. Os dedos finos do menino são só mais alguns dos milhões, bilhões de dedos magros de miseráveis que não podem dizer que vir ao mundo foi uma sorte. Como ser feliz se o mundo não o é também?

22.3.11

Lua

Olho para a infinidade de escuridão em que piscam todos aqueles pontinhos. Se nenhuma luz fosse acesa aqui na Terra, certamente seria o oceano de estrelas preso sobre as nossas cabeças o nosso aconchego de cada noite. Quando as nuvens me cedem uns minutos de paixão, esse é o meu aconchego pessoal. Meus olhos, como se fora do meu controle, não se cansam de procurar pelo brilho de cada estrela perdida na imensidão desse céu, uma mais distante do que a outra... Saber que umas talvez nem existam mais é um encanto, um devaneio dos olhos, a prova mais acessível dos limites físicos do universo - da nossa casa. O fascínio que as distâncias astronômicas e que os corpos gigantescos exercem é evidente na curiosidade vibrante dos olhos brilhantes - refletem do brilho do céu ou a emoção de um grande amor? E umas estrelas, unidas por linhas imaginárias, formam umas figuras, despertam a imaginação... Em algumas horas, umas sumirão, outras aparecerão; Vênus nos trará a graça de sua presença e irá surgir ali, pouco acima do horizonte, nos chamando a despertar para os céus. Antes disso, com a mente e o coração imersos na magia que guardam aquelas estrelas, chama minha atenção o coração dos terráqueos no azul. A Lua surge, amarela, baixa, tão apaixonante que penso no que fazer para alcançá-la. Ela reflete a luz do Sol que, caridoso, nos cede o deleite de aproveitar o céu noturno, e ela brinca de apaixonar os homens e sumir poucas horas depois, largando-os solitários e saudosos... Ela caminha pelo breu iluminando as nuvens que surgem ao seu redor e me convida a admirá-la. Então a Lua, como quem quer mergulhar na Terra, se revela alva, brilhante, estonteante. Meu coração para por um instante e decido que não quero mais nada além dela. Através das lentes observo aquela obra-prima da Natureza enquanto penso em desbravar o Mar da Tranquilidade... As horas vão passando e nós ficamos ali, confidenciando segredos, dando atenção às outras belezas que povoam o céu, nutrindo esse amor cego em mim. Ela se despede, desaparece pelos céus, me deixa desamparada. Vou me deitar com sua imagem colada à retina, com a ansiedade de quem conhece a paixão. Pobre dos meus namorados, dos meus amores terrestres... Nada amarei mais do que a Lua.
"Et c'est vrai tu m'as donné
Les plus beaux de mes jours
Et je te les rendais
Je t'ai confié sans pudeur
Les secrets de mon cœur
De chanson en chanson
Et mes rêves et mes je t'aime
Le meilleur de moi-même
Jusqu'au moindre frisson"

11.3.11

je ne suis plus tombée amoureuse, mais je ne peux pas oublier le passé!!!

7.3.11

A hora íntima

Quem pagará o enterro e as flores

Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: - Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?

Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?


Vinicius de Moraes

Trevo

Chovem trevos e eu encho a mão deles; corro para alcançar mais e mais quando, já descrente de tamanha sorte, vejo minha felicidade vindo na minha direção, sorrindo tanto, tanto... De repente é uma tempestade de trevos que me afoga, minhas mãos mal se fecham de tantos trevinhos de quatro folhas que as preenchem. Enquanto isso, a felicidade me abraça como se nunca mais me pudesse soltar! Jogo meus trevos pro alto - de que importam? - seguro-a - ah, linda felicidade! -, encho-me dela até não poder mais!
(Embora não conte que vá perdê-la, guardo uma dúzia de trevos no bolso para possíveis imprevistos.)

3.3.11

Paradoxo

Minha vida é conter o paradoxo
Que me habita confusamente.
Desdenho da clareza das ideias
Quando mal sei cuidar de antíteses.

Tombando entre impossibilidades,
Vejo-me tão atraída por esse mundo
Que me reservam as inconstâncias da alma!

Vivo a claridade do breu pelo qual
Oscilam minhas falsas verdades.
Brumas desnudam minha fajuta realidade,
A névoa abraça as incertezas que vagam.

Um vulcão entra calmo em erupção
E a crueldade da destruição torna-se...
Algo como gosto ou prazer.

Embargam-me os olhos emoções impossíveis,
Um temor alegre, felicidade e tristeza compassivas;
Bebo sedenta o copo de vinho vazio
No qual mergulham minhas mágoas mortas.

Relampeja um amor nas minhas entrenhas,
O sangue ferve e congela ao mesmo tempo,
As dúvidas semeiam minhas células.

Entro em colapso existencial.

Eis que, quando já me cansam
Todas essas contradições de ser,
Tateio o intangível
E - plenamente como nunca - me descubro humana...

Sentir é próprio da alma

A areia preenche as curvas de um pé, logo do outro também. Os incontáveis grãos são sentidos, cada um, por aquela pele fria que se esquenta no contato com aquele chão quente e fofo. Logo esses grãos são deixados pra trás e outros afagam carinhosamente aqueles pés, também logo substituídos por mais outros, e aquela poligamia convém tanto para os pés quanto para os grãos. À medida que o caminhar deixa a areia quente para trás, surge o primeiro vestígio do mar - o solo úmido. Os pés repousam por um instante e sentem, acariciam, abraçam, tocam, descobrem indícios do frio em meio à infinidade de pedacinhos de areia. Poucos sentiriam a brisa que o pescoço sentia passeando por lá e outros poucos escutariam as palavras sussuradas pela água escondidas no quebrar das ondas. O pé esquerdo hesita sobre seguir, no entanto põe-se à frente do direito à espera da água. É em vão. Muito mais coragem é necessária para o primeiro e assustador contato com a água. Dar mais alguns passos requer uma força que o medo esconde... Abrir os olhos não traria a visão deste espetáculo amedrontador. Os dedos se escondem na mão que se fecha, a testa se franze. As sensações são tão vivas quanto o medo da frustração. A pele é especialmente sensível e os ouvidos parecem escutar até o que se fala do outro lado do oceano mas, mesmo assim, hoje falta algo. Uma bolinha de água desenha um fio pelo rosto - só pode ser uma lágrima - e, de repente, várias outras a seguem no desabar desesperado de todas as emoções que transbordam afoitas daqueles olhos. Os joelhos cedem e as mãos apoiam aquele sentar mais pesado do que todos aqueles grãos de areia que o seguram. Os ouvidos ficam surdos às ondas e o único som é o das vozes, que não param de falar uma por cima da outra.
Eis que faz-se silêncio. De súbito os pés sentem-se envolver por gelo - não, por água, por uma água incrivelmente gelada, docemente gelada, que acorda os pés à vida... E as mãos, assim como os pés, sentem grãos de areia, um, dois, cinco, doze, cem, mil... O cheiro de sal é forte, o sol já está mais fraco - teria uma nuvem o encoberto? - quando vem ao socorro daquelas emoções confusas a força. De repente os braços empurram aquele tronco inseguro, as pernas se cruzam no impulso do levantar. E a força é tamanha que, não fossem as sobrancelhas baixas, jamais teriam cogitado haver medo sob aquela pele sensível. Os pés caminham firmes enquanto as pernas se molham; as mãos não podem estar mais seguras enquanto a barriga e as costam se banham, trazendo um arrepio à nuca. A água já está pela altura do pescoço quando a mão leva à boca um pouco daquele mar e, para aquela língua tão especial, esse gosto deveria ter um nome especial, talvez algo próximo de "salgado", "exótico", "delicioso"... Ou nada que as palavras conhecessem também. Pouco importa: a vontade é de sentir por inteiro aquele mar. A cabeça se deixa afundar e os braços, inclinados para a frente, abrem-se e fecham-se, e o desejo é de devorar o mar, o oceano inteiro. Quando os pulmões já querem reconquistar o ar, os olhos já seriam completamente inúteis. Num balançar suave, todos os membros, numa harmonia incomparável, guiam-se de volta à terra. Quando cessa o contato com a água, as emoções não são pesadas, mas tão leves quanto hélio. A alma vive novamente e sente... Será que ela nunca havia sentido antes? Aquelas emoções fazem aquela alma enxergar como olhos nunca a tinham feito enxergar antes.

1.3.11

Ah, essa sensação

de quando o seu mundo vira um sorriso...