4.2.11

Angústia

O que me consome é angústia. Ela pesa tanto na minha respiração, me belisca toda hora o peito como quem diz "estou aqui, não se esqueça de mim". Não sei por que ela se preocupa tanto... Pudera eu esquecê-la, perdê-la, abandoná-la. Hoje isso é tão impossível quanto esquecê-lo. Você não se sente mal por me deixar assim, totalmente desamparada? Não é tão difícil segurar eventuais incômodas lágrimas quando o assunto é a areia fofinha ou a tartaruga que esbarra na borda da piscina. Por que pensar em chorar? Você não deveria ter feito isso... Sinto frio na barriga com medo desse futuro tão próximo, sinto angústia por causa da minha impotência frente a ele, sinto tristeza quando cogito o pior. Quando me lembro de tudo, não poupo pleonasmos sobre o aleatório e coincidente acaso - aquela sorte linda que me trouxe você. Acaso me trouxe, descaso (do destino) me leva... Não vou abraçar você forte se não for isso o que você quiser, o que você me prometer que quer... Tenho medo de perder você sendo assim. Não sou relapsa, não sou esquecida. Só tenho medo... Que agonizante é a ideia de perder você! Machuca tanto! As bolinhas azuis que cobrem o lençol sob mim poderiam ser as mesmas que forrariam sua cama. Aí eu estaria com você ainda mais uma vez e não precisaria de tanto esforço pra inspirar quanto agora. Aliás, puxar o ar seria tão simples e delicioso se você estivesse aqui! Eu preencheria o vazio dos pulmões com o ar do seu perfume, e aí tudo estaria bem... Eu não pensaria no amanhã assustador que nos espera...
Gosto muito de você, me deixa continuar a ser um pedacinho do seu dia (e seja você a maior parte do meu).

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