Amordaçada,
A poesia gritava -
Reagia ferozmente à prisão
À qual fora acorrentada.
Tateava-me o corpo
Completamente cega
(Mas mais viva do que todo o universo).
Não achava escapatória:
Estava fadada a viver presa, sequestrada,
Longe da sua condição louca e livre -
Longe da sua condição de poesia.
Qualquer um se entregaria.
Não o fez a poesia.
Insistente vítima, fiel companheira,
Encheu-me a alma de ecos de angústia,
De felicidade, de paz, de medo,
Povoou-me de todas as formas possíveis.
O que era aquele fogo descontrolado
A me queimar obsceno?
Quando me dei conta,
Ela já estava respingando...
Fez-se prosa, fez-se poesia,
E quando vi, fez-se o amor...
Amor,
A poesia de ser.
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