Sou muitas, sou todas, sou algumas, sou nenhuma.
Uma infinidade de eus são bombeados por esse meu coração -
inquieto, pobre dele!
Tantas coisas habitam este espaço tão limitado do meu corpo,
tantas coisas povoam o universo das minhas ideias...
Sou arte e todo ser humano o é
na destreza dos seus reflexos mais humanos.
Somos a arte da vida, a arte da existência.
Carimbo, nos meus diferentes arrepios,
diferentes situações, histórias, emoções, temores,
e logo alago sem pudor meus olhos em lágrimas
e logo alago sem pudor meu rosto num sorriso.
O céu negro vira azul, vira roxo, lilás, rosa;
os raios do Sol caminham pelo meu quarto;
de uma vez por todas tenho certeza: magia!
Espalham-se em mim as sensações mais escandalosas,
vou dos pensamentos mais diversos a alucinações da razão.
Meu corpo fica dormente e, por um instante,
vejo-me presa a um formigamento descontrolado que,
por um instante, pergunto-me não serem mesmo formigas.
Sigo à risca a insensatez de todos os poetas:
deixo sutis vestígios de cada um dos meus infinitos eus e,
entre versos desafinados,
assino minha loucura,
delineio o cortorno de uma alma,
alma encharcada de amor e de uma urgência insana,
urgência insana de testar todas as possibilidades da vida,
vida desesperada para ser vivida.
Os peixinhos beliscam meus pés...
Como é lindo.
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