24.1.11

Voo

Ando meio perdida. Não sei ao certo aonde meus passos levam meu corpo. Sou levada por um vento forte - desconfio ser um tornado - que não me permite escolha. É, não me importo de não poder decidir. Gosto desse quê de mistério, de dúvida... O ar é gostoso. Inspiro, encho os pulmões de ar e expiro me deliciando com o sabor do respirar. Respiro com calma. Aprecio cada molécula que me percorre peito e que, com seu gosto que degusto feliz da mais pura felicidade, alivia-me de cada angústia - que eu sei que já existiu, mas sequer lembro que forma tinha. Deixo o vento me levar, embargo-me nele inconsequente. Viajo pelo seu som ao colidir com as janelas, ao balançar os galhos, ao desviar de uma porta para tocar minha pele. Não enxergo o vento; aproveito-o. Queria ter asas pra me juntar a ele e voar mundo afora sem a prisão a que me acorrentam minhas pernas. Eu quero sentir mais e mais esse delícia da ventania, quero me jogar vendada e só sentir a brisa me acariciando... Não acompanho mais meu corpo, deixo-me levar por essa onda que me arrasta como bem lhe convém... Talvez eu não precise de asas pra voar, afinal... Meu corpo não sei, mas minha alma voa distraída por aí.

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