24.1.11

Trabalho de mãe

Brinco com as palavras.
Procuro-as, junto-as, amarro-as.
Encontro-as, rasbico-as, pingo is e jotas.
Reflito um pouco, escolho algumas novas.
Elas aparecem em blocos, em grupos, em pares,
Formam linhas e vão moldando um poema.
Deixo a mente vagar - aí elas vagam também...
Então se misturam, correm uma das outras;
Há as que se abraçam, as que se beijam,
Umas se casam e juram amor eterno...
Algumas preferem se isolar - quase sempre são impedidas.
De vez em quando há as que incendeiam, explodem, desaparecem
Às vezes saem de fininho ou dispensam acentos...
O papel se cansa de tanta correria
Enquanto elas ganham vida própria sobre a folha,
Separando-se, gritando, saboreando,
Unindo-se, apagando-se, sumindo, surgindo, nascendo.
Não consigo pregar os olhos até descansar o caderno -
Ah, essas palavras! Como me dão trabalho essas minhas filhas...
(Mas há como não se amar os filhos?)

Nenhum comentário: