20.8.10
Já acordara fazia tempo quando fui à cozinha tomar meu café, como de praxe. Abri o jornal e não me assustei com os números da inflação daquele mês. Espreguicei-me uma, duas vezes, deitei-me no sofá da sala e senti saudade do meu passado. Como me faz falta minha juventude! Saudade dos meus tempos de moleque, da pipa, do futebol, de pegar o bonde para ir à escola e de assobiar para as meninas bonitas que passavam na rua. Como é bom me lembrar daquele primeiro emprego, do primeiro salário, da alegria da faculdade... Que saudade de quando me apaixonei, me casei, tive meus filhos. E ainda como me fazem falta aqueles meus amigos inseparáveis! Parece que foi ontem que minha primeira neta nasceu, seguida dos dois gêmeos. Levantei-me e olhei-me no espelho. Via uma pessoa diferente. Mudada, talvez, ou quem sabe até outra pessoa! Cheguei mais perto e vi que os óculos já não escorriam pelo nariz comprido e que as poucas ruguinhas na testa não eram nem ruguinhas nem poucas. Não tinha envelhecido, tinha apenas acabado de perceber isso. Doce juventude e cruel do destino que não hesita em logo deixá-la para trás...
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