11.12.10

involuntário

Sensações: ninguém escolhe tê-las. Não é necessário se deixar possuir para que elas se espalhem pelo corpo.
Não sei quais são as minhas hoje. Juro.
Minha mente vaga e, tomando certas direções, o que se espalha em mim não é um vazio, mas uma ausência de sensação.
Quero ser irredutível.
Não é porque meus olhos enxergam que eu necessariamente vejo, mas eu vi, sim. "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara". Eu reparei. Demais, até.
É reparando, não catando besteiras, mas sendo por elas encontrada, que me pergunto: até onde?
Até onde o quê? Até onde você vai, até onde suporta, até onde pode chegar, até onde você...?
Não, não. Até onde vai a sensação!
Fico surpresa. De vez em quando ela é discreta, serena, mas essa aí foi avassaladora, não escondeu sua fúria comparável à de um furacão, à de um terremoto que sacode inconsequentemente a terra...
Mas não é uma sensação tão ruim assim. Aliás, quem sabe ela nem ruim é? É que ela não é uma sensação triste ou alegre, tampouco indiferente - ela é de alerta. Uma sirene toca pedindo para eu correr agora, antes que o fogo me lamba a casa inteira junto à minha pele.
Não preciso me desesperar numa fuga repentina demais. Dessa vida não só eu fugi, como você também... Realidades paralelas, comodidade, umas conversas. E só.
Devo ser, enfim, irredutível.
Contudo, que não nos tratemos com a indiferença com que nos tratam as sensações; sejamos menos levianos, mais compreensivos. Não entregue nada, jamais (perigosa palavra?) lhe pedirei qualquer pouca coisa. Só peço a intocável lealdade e, mais ainda, uma irretocável consideração.
Seremos, assim, um mundo de sensações compreensíveis de novo e, quem sabe, não me suma essa literal impotência... Talvez não entre nós, mas ao menos entre mim e o universo...

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