Na minha mente, quantos sonhos ganham formas,
Contemplam cheiros e sabores e arrepios...
Tão novos, tão únicos, tão especiais - e em vão.
Tão novos, tão únicos, tão especiais - e em vão.
Tão breve surgem, tão breve desconhecidos morrerão.
Meus olhos são calmos, mas inquietos;
Sedentos por cada experiência estrangeira
(E a eles tudo é estrangeiro que não a escuridão),
Devoram e julgam, absorvem e interpretam.
A mente reconsidera, absorta em pensamentos infinitos
E infinitamente incontroláveis.
Eles somem e morrem e quem dirá que existiram?
O atestado são outros pensamentos que quem dirá que existiram?
O que vivo, o que penso, nunca saberão.
Ainda que a alguma alma atormente a curiosidade
E ela me queira decifrar o jeito,
Deixo-lhe dizeres sinceros:
Não posso falar-lhe tudo se nem eu sei o que penso.
Entre as palavras que digo sinceramente,
Há infinitas ideias que eu silencio sinceramente.
Pensamentos complexos, devaneios,
Explosões de consciência,
E tantas outras coisas que não se moldam às formas das palavras.
Por mais que queira, por mais que se desafie,
O que penso, nunca saberá.
O que penso, nunca saberão.
O frio que me causa a fascinação pela metafísica,
Companheira solitária e inata do homem,
Companheira de meus dias solitários e melancólicos,
É nada além de fruto do que penso
E não faz parte de lugar nenhum além do meu cérebro,
E de todo cérebro humano que angustia o sentido de tudo,
Que concebe essas ideias sem motivo, sem razão
E agoniza.
Minha cabeça repousa sobre o travesseiro,
Mas a metafísica não a deixa dormir,
Angustia-a,
Devora-a,
Consome-a toda obscenamente.
E dela e de tudo o mais,
O que penso, nunca saberão.
Quando some o sentido e o existir das coisas se torna
O vão existir das coisas todas,
Os pulmões já são pequenos demais
Para o tanto de ar que lhes deveria adentrar
E respirar já não causa muito além de um suspiro pesado que expulsa o ar
Mais essa sensação cujo sentido de existir
Não faz sentido - mas angustia.
Só eu, contudo, sinto a força do peito para respirar -
Aos outros, respiro, embora nem tenham consciência de o saberem;
Aos outros, respirar, para mim, é só respirar.
O que penso e o que decorre dos meus pensamentos e do peso que dão ao ar, nunca saberão.
Que sou, se não o que penso?
Afinal, que saberão de mim se não sabem o que a todo instante penso?
Que saberão de mim se não sabem nada do que penso?
Palavras são pensadas, porcentagens pífias das ideias;
As outras se afogam umas nas outras, refugiam-se seguras no cérebro
E as palavras sopradas ao vento podem até ser lembradas,
Mas as ideias guardadas murcham e morrem e viram pó -
E dos meus pensamentos só eu saberei,
Dos meus pensamentos e das sensações minhas,
Consequência das minhas ideias,
Ideias secretas e anônimas,
Nunca saberão;
Quem sou, nunca saberão.
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